Bosingwa e Paulo Ferreira são bicampeões Europeus. Raul Meireles consegue a sua primeira Champions e o grupo ainda tem Hilário. Festa inglesa em Munique, na casa do rival que teve uma mão na Taça até dois minutos do fim.

Antes da festa, houve oitenta minutos de sonolência, dez minutos de jogo e trinta de prolongamento. A contabilidade é fria, pode não colher total anuência, mas não andará, certamente, longe da verdade. Até ao golo de Thomas Muller o jogo deixa poucas recordações. Mas, depois, não sendo memorável foi, pelo menos, emocionante.

FICHA DE JOGO

Um empate sobre a hora, um prolongamento com um penalty desperdiçado e as grandes penalidades para decidirem o sucessor do Barcelona.

O Chelsea, como se esperava, apareceu movido às leis da Troika. Contenção. Muita. Quase sempre. Só arriscou quando se viu a perder. Porque não o fazer seria parvo, claro está.

De facto, apostar num esquema ofensivo quando o segredo para o apuramento esteve precisamente na coesão lá atrás não era apenas arriscado. Era de todo improvável. A aparição do jovem Ryan Bertrand no onze, para fechar os caminhos da esquerda, era apenas a confirmação do óbvio. Acima de tudo o Chelsea ia defender.

Há vários caminhos para chegar a um objetivo. Aquele que os londrinos escolheram pode não ser o mais agradável à vista, mas é tão legítimo como qualquer outro.

Bayern com pouca paciência

Ao Bayern cabia desmontar o ferrolho inglês. Perante o seu público, com o peso extra da responsabilidade de tentar fazer o mesmo que o Inter de Milão fez ao Benfica em 1965: vencer a final em casa. Desde aí mais ninguém conseguiu.

Robben e Ribery tentaram ser os animadores de serviço, mas foram quase sempre solistas pouco afinados. Mario Gómez só por uma vez ganhou espaço na área para rematar e atirou por cima. Muller apareceu a espaços mas chegou a dar asas ao sonho.

E se do outro lado havia nove jogadores atrás da bola, Cech na baliza e Drogba na frente...como o 0-0 se ia alterar?

Thomas Muller parecia ter indicado o caminho, perto do fim, com o cabeceamento que abriu o ativo. Faltavam menos de dez minutos. Parecia tudo decidido, até porque o Chelsea pouco tinha feito até então e mesmo o Bayern só tinha ficado perto num remate à trave de Robben, ainda na primeira metade.

Parecia decidido, insiste-se...Afinal estava só a começar.

Drogba: quem haveria de ser?

No primeiro canto que ganhou no jogo (ao minuto 88) o Chelsea empatou. Brilhante ação de Drogba, num cabeceamento fulminante que queimou as mãos de Neuer e só parou no fundo da baliza. Prolongamento à vista. Um mini-pesadelo de Barcelona para o Bayern. De certeza que alguém se lembrou da mítica final de 1999.

O Chelsea não teve a felicidade do Man. United, nessa altura, mas não se pode queixar. No tempo extra, por exemplo, viu Robben desperdiçar um penalty inequívoco assinalado por Pedro Proença. O árbitro português esteve à altura. Bem no penalty, seguiu a indicação do assistente num golo anulado por fora de jogo de Ribery. Que não é claro, nem inexistente. Esteve bem, em suma.

Robben falha o segundo penalty decisivo em poucas semanas, depois de ter feito o mesmo no jogo do título com o Dortmund. Joga na Alemanha, mas não tem a frieza germânica.

E nem foi ao desempate, assistindo de longe aos falhanços de Olic e Schweinsteiger. Drobga não tremeu na hora decisiva e deu ao Chelsea a sua primeira Liga dos Campeões. O primeiro estreante desde o Borussia Dortmund, em 1997. Roman Abramovich pode, enfim, sorrir e descansar.