Data de nascimento: 22/10/1929 (Moscovo). Falecido em 21/3/1990.

Posição: guarda-redes

Nacionalidade: soviético

Internacionalizações: 75 pela U.R.S.S

Período de atividade: 1949-1971

Clube: Dínamo Moscovo

Principais títulos conquistados: torneio dos Jogos Olímpicos (1956), Campeonato da Europa (1960), cinco campeonatos e três taças da União Soviética. Bola de Ouro em 1963 (o único guarda-redes a receber este prémio). Foi eleito melhor jogador da URSS por 13 vezes.

Considerado o melhor guarda-redes de todos os tempos, estará para sempre imortalizado nos anais do futebol como a «Aranha Negra», devido à sua elasticidade e equipamento negro.

A sua carreira teve um início tardio. Começou por defender as pequenas balizas do hóquei no gelo antes de, aos 24 anos, optar definitivamente pelas grandes balizas do futebol, onde viria a conquistar um estatuto impar a nível mundial. A troca de balizas resultou de um mero acaso. O guarda-redes do Dínamo lesionou-se e Yashin foi chamado a substituí-lo, acabando por nunca mais deixar o futebol.

Do hóquei conservou algumas caraterísticas que poucos guarda-redes tinham na época: sentido de antecipação e movimentos felinos que deixavam sem resposta os adversários. Só conheceu um clube na sua carreira, o Dínamo Moscovo, que representou ao longo de 22 épocas consecutivas, nas quais conquistou cinco campeonatos e três Taças da União Soviética. Acima de tudo, deu um enorme contributo para o futebol, dando os primeiros passos na formação dos parâmetros do guarda-redes moderno.

Foi dos primeiros guardiões a assumir como zona de ação toda a grande área conseguindo que se passasse a ver o guarda-redes como mais um jogador de campo. Em cima da linha de golo era difícil de bater, defendendo bolas impossíveis graças aos seus longos braços. Dono de reflexos e elasticidade impressionantes chegava a todos os cantos da baliza com apenas um impulso. Teve sempre uma superstição: entrava sempre em campo com dois bonés. Um colocava na cabeça e o outro dentro da baliza para lhe dar sorte.

Foi titular na seleção da União Soviética entre 1954 e 1967, somando 78 jogos, e participou em três fases finais do Campeonato do Mundo: 1958, 1962 e 1966. Neste último, a União Soviética chegou às meias-finais graças às suas fabulosas defesas. Para os portugueses, o guarda-redes russo ficará ligado à famosa imagem em que Eusébio fez uma festa na cabeça de Yashin, depois de ter marcado o primeiro golo na vitória (2-1) para a definição dos terceiros e quartos lugares. Aos 41 anos ainda foi convocado para o Mundial-70, mas o México não chegaria a ver o «Aranha negra» em ação.

Apesar de não ter conseguido títulos nos mundiais em que participou, Yashin acabou por conseguir a consagração internacional. Em 1956, nos Jogos Olímpicos de Melbourne, conquistou a medalha de ouro, com vitória (1-0) na final sobre a Jugoslávia. E, quatro anos volvidos, coroou-se rei da Europa ao bater (2-1), mais uma vez, a Jugoslávia, na final do primeiro Campeonato da Europa, em 1960.

Foi convocado para três seleções da FIFA, a última das quais, frente ao Brasil, marcou a sua despedida internacional dos relvados. Yashin tinha 39 anos, a 6 de Novembro de 1968, quando disputou esse encontro no Rio de Janeiro. Todavia, esteve ativo por mais três anos e a despedida definitiva só chegou em 1971, num encontro no Estádio Lenin de Moscovo, onde mais de cem mil adeptos aclamaram o genial guarda-redes.