Em Anfield, no mítico recinto do Liverpool, respeitou-se escrupulosamente a história. O FC Porto continua sem vencer em Inglaterra para as competições europeias em 19 ocasiões: regista agora 16 derrotas e três empates.

Num palco tradicionalmente difícil (os dragões tinham perdido todos os jogos disputados em Anfield), recheada de devotos aos «Jurgen’s Boys», não houve vingança. Jogou-se pela honra, pelo brio e pelo orgulho. Pessoal e do próprio clube. Valores nobres espelhados nas atuações dos homens de azul e branco.

Competência e organização, pilares fundamentais no resultado alcançado pelo FC Porto neste encontro. O desfecho da partida permite.lhe enchar o peito de orgulho e despedir-se da Liga dos Campeões de cabeça erguida e, mais importante que tudo, com a imagem limpa.

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A missão que o FC Porto tinha pela frente era hercúlea, arrisque-se mesmo dizer utópica.

Sérgio Conceição optou por fazer descansar alguns dos habituais titulares e deu oportunidade a jogadores com menos minutos, permitindo, inclusive, que o jovem Bruno Costa se estreasse na equipa principal do FC Porto. Pese embora as sete alterações, os dragões estiveram quase sempre confortáveis no encontro. Mérito total do técnico portista que consegue manter 23 atletas motivados, tarefa complicadíssima no futebol atual.

As alterações no conjunto português, a somar às cinco trocas feitas por Jurgen Klopp – Salah, por exemplo começou no banco – proporcionaram uma partida com pouco interesse de seguir. O heavy metal de Klopp, tocado de forma ensurdecedora no Estádio do Dragão há três semanas, deu lugar uma versão unplugged. Essa versão unplugged, em conjunto com a postura adotada pelo FC Porto, originou um jogo disputado a um ritmo lento.

No meio da apatia generalizada, houve acordes tocados por Sadio Mané que recordaram o heavy metal habitual. Ao minuto 18, o senegalês desviou por cima, com a ponta da bota um cruzamento de Joe Gomez e, mais tarde, quando o cronómetro marcava o minuto 32, quase aproveitou uma falha de Diogo Dalot. O remate beijou o poste direito da baliza de Casillas.

O FC Porto, bastante organizado e coeso, aguentou as investidas inglesas e espreitou sempre as saídas em transição para tentar marcar na cidade dos Beatles. Aboubakar, nos instantes iniciais falhou a receção que lhe permitiria ficar na cara de Karius. Depois, valeu aos reds a boa leitura de jogo do guarda-redes alemão a impedir que Waris recolhesse um bom passe de Bruno Costa. Aguerrido, com pormenores interessantes, em suma, um jovem de 20 anos que não tremeu na estreia absoluta pela equipa principal dos azuis e brancos.

A derradeira ocasião da primeira metade pertenceu a Lovren, com o cabeceamento a sair ligeiramente por cima. O ascendente do Liverpool terminou aquando do apito para os balneários.

No reatamento, o FC Porto procurou roubar a bola ao oponente e jogar mais perto da baliza contrária, fórmula que, por pouco, não surtiu efeito. Warris arrancou, deixou três adversários para trás e disparou para boa estirada de Karius.

Depois da dança das substituições, só voltou a haver motivos de interesse à entrada para os dez minutos finais. Primeiro foi Corona a obrigar o guarda-redes contrário a defesa apertada e do lado contrário, foi Salah quem testou Casillas.

A melhor oportunidade dos dragões chegou na sequência de um lance de bola parada. Óliver – uma exibição algo intermitente - foi mais expedito que os restantes e aproveitou o livre lateral cobrado por Sérgio Oliveira para visar a baliza dos reds. Porém, Lovren conseguiu o corte de carrinho e impediu a festa azul e branca em Anfield.

 

A última oportunidade do Liverpool – melhor ataque ainda em prova – teve a assinatura de Ings, recém-entrado para o lugar de Firmino. Casillas foi San Iker pelo segundo jogo consecutivo e impediu novo desaire frente aos homens de Klopp.

Assim, Liverpool junta-se a Real Madrid no lote de equipas já apuradas para os quartos de final. Por sua vez, o FC Porto sai de cena nos oitavos de final pelo segundo ano consecutivo. Contudo, os dragões saem honrados. E, já se sabe, nada importa mais do que a honra de um homem.