vitória sobre o At. Bilbao

O panorama é, porém, muito mais complicado para Benfica e Sporting, depois dos resultados desta semana. Independentemente das particularidades dos seus jogos, e das polémicas que se lhes seguiram, o balanço de um ponto ao fim de três jornadas deixa os dois grandes de Lisboa em situação crítica para atingirem uma vaga nos oitavos de final – ainda que nesta fase os dois dependam apenas de si.

Benfica igualou pior registo no final da primeira volta

Por isso, comecemos pelas boas notícias. Olhando para o histórico de resultados na Liga dos Campeões, é possível seguir em frente tendo um ponto, ou menos, nos três primeiros jogos: desde a criação da fase de grupos, em 1992/93, isso aconteceu em dez ocasiões, duas delas com as equipas a conseguirem mesmo o primeiro lugar. Os autores da proeza? O Arsenal, de Arsène Wenger, em 2003/04, e o Panathinaikos, que em 2008/09, apesar de um início catastrófico, saiu por cima de um grupo com Inter, de José Mourinho, e Werder Bremen, com três vitórias nos últimos jogos. 

Resultados e classificações da Liga dos Campeões  

Admitindo que o primeiro lugar é uma exceção, que dependeria de um conjunto de circunstâncias invulgar – além do pleno de vitórias para as equipas portuguesas nos jogos em falta – vale mais fixar atenções nos casos em que foi possível chegar ao segundo posto. São poucos, já perceberam: apenas oito em 21 anos de Liga dos Campeões. E só por uma vez a proeza foi conseguida por uma equipa lusa: em 2004/05, então aureolado com os galões de campeão europeu, o FC Porto, comandado por Victor Fernandez, superou um arranque desastroso e somou sete pontos nos últimos três jogos, terminando o grupo à frente de PSG e CSKA Moscovo.

Entre os exemplos mais notáveis de sprints finais vitoriosos, destaca-se o do Newcastle, em 2002/03. Então comandada por Bobby Robson, e com o português Hugo Viana nas suas fileiras, a equipa inglesa chegou a meio do caminho com três derrotas, num grupo com Juventus, Dínamo Kiev e Feyenoord, mas ganhou os três últimos jogos, ultrapassando ucranianos e holandeses sobre a linha de meta.

Nessa mesma época, deu-se outro exemplo fantástico de que as contas são para ser feitas no fim: o  Lokomotiv de Moscovo tinha apenas um ponto à terceira jornada, e continuou com o mesmo saldo ao perder o quarto jogo, no Camp Nou. Mas as vitórias sobre Brugge e Galatasaray, nos últimos dois jogos, permitiram-lhe ainda um inesperado segundo lugar, atrás dos catalães.

Agora, é altura de entrar nas más notícias: foram 139 as equipas que chegaram à terceira jornada em situação igual ou pior à de Benfica e Sporting (com um ponto ou menos). Dessas, apenas dez (7% do total) conseguiram chegar a um dos dois primeiros lugares.

Eis os seus nomes:

Croácia Zagreb (1998/99, 8 pontos, 2º lugar)

Dínamo Kiev (1999/2000, 7 pontos, 2º lugar)

Newcastle (2002/03, 9 pontos, 2º lugar)

Lokomotiv Moscovo (2002/03, 7 pontos, 2º lugar)

Arsenal (2003/04, 10 pontos, 1º lugar)

FC Porto (2004/05, 8 pontos, 2º lugar)

Werder Bremen (2005/06, 7 pontos, 2º lugar)

Liverpool (2007/08, 10 pontos, 2º lugar)

Panathinaikos (2008/09, 10 pontos, 1º lugar)

Galatasaray (2012/13, 10 pontos, 2º lugar)

Terceiro lugar: mais acessível, mas...

Obviamente que o caso melhora um pouco se passarmos a fazer estas contas tendo o terceiro lugar como objetivo. Aí, a recuperação foi conseguida em 27 casos, num total de 139 (20% do total) e com o Benfica a fazê-lo por duas vezes - em 2006/07, quando terminou com sete pontos e em 2012/13, quando chegou aos oito, e foi terceiro num grupo com Barcelona, Celtic e Spartak. Já o Sporting, só por uma vez se deparou com esta situação: em 2000/01 chegou à terceira jornada com um ponto, mas só conseguiu mais um empate até ao fim da fase de grupos, terminando no último lugar, atrás de Real Madrid, Spartak e Leverkusen.

Ou seja, não há como iludir a realidade: 73% das equipas que chegaram a esta fase na mesma situação de Benfica e Sporting, acabaram eliminadas e fora das provas europeias. Embora haja antecedentes inspiradores, que mantêm acesa a chama, os dois grandes de Lisboa vão ter de fintar também a História para encontrarem um final feliz.