Faltou ir das palavras aos atos. Abel citou Napoleão Bonaparte no lançamento da partida, pedindo coragem aos seus jogadores para desafiar as forças do adversário.

Contudo, no futebol de pouco vale ter apenas coragem. Ainda menos valor têm as palavras. Acima de tudo, é preciso ter qualidade e, nesse aspeto, o Marselha foi amplamente superior. A equipa de Rudi Garcia dispôs de inúmeras oportunidades e acabou por praticamente resolver a eliminatória diante do seu público.

Ainda assim, valeu Matheus a impedir uma verdadeira hecatombe bracarense.

Com este resultado, o Marselha segue invicto no presente ano civil e abriu boas perspetivas para a passagem à próxima ronda da Liga Europa. Por sua vez, os minhotos terão pela frente uma tarefa hercúlea dentro de uma semana na Pedreira.

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O jogo iniciou praticamente com o golo de Germain. A sucessão de erros começou com uma tentativa de alívio de Sequeira, deixando a bola à mercê de Payet. O criativo francês conduziu perante uma total apatia bracarense e cruzou, de forma primorosa, para a entrada de Germain, que se limitou a desviar por baixa das pernas de Matheus.

O golo, sofrido a frio, afetou de sobremaneira a equipa de Abel Ferreira que nunca se chegou a encontrar durante o jogo. O contrário não aconteceu, já que o Marselha continuou a criar oportunidades em catadupa.

Matheus começou a abrir o livro, após um erro de Bruno Viana e Rosic – uma das novidades no onze a par de Danilo – a remate de Ocampos. O domínio francês era absoluto e indiscutível. Adivinhava-se o segundo golo francês que apenas não aconteceu por culpa… de Matheus (quem mais?). Voo sensacional a negar um golaço a Luiz Gustavo à passagem da meia hora.

Nos instantes finais da primeira parte, Sequeira impediu em cima da linha o desvio de N’Jie e escassos minutos depois, os bracarenses viram o livre direto de Payet beijar o travessão. Bafejados pela sorte e por uma exibição assombrosa de Matheus, o Sp. Braga terminou a primeira metade vivo e com hipóteses de discutir o encontro e, por conseguinte, a eliminatória.

Convém referir que o Sporting de Braga esboçou duas ténues aproximações à baliza de Pelé – ocupou o lugar do lesionado Mandanda. Dyego Sousa foi o rosto da reação bracarense com um pontapé fortíssimo ao lado da baliza. Apenas aos 24 minutos, houve nova aproximação à baliza de Pelé. Vukcevic rematou fraco contra um oponente, após um cruzamento de Esgaio (depois de Matheus, o melhor da equipa portuguesa).

Pouco, muito pouco para quem tinha ambição de discutir a eliminatória.

No reatamento, a toada manteve-se com o Marselha a ser muito superior ao seu adversário. O domínio marselhês chegava a ser sufocante em determinados períodos do jogo. Por isso, foi com relativa naturalidade que Germain chegou ao bis e resolveu a partida. Justiça feita, diga-se.

Esse golo não aconteceu mais cedo por culpa de Matheus (na retina ficou a defesa com a cara a remate de Ocampos).

O Sporting de Braga estava vergado e indefeso, como que à esperava do golpe de misericórdia do adversário. E esse golpe chegou, ao minuto 74, por intermédio do recém-entrada Thauvin. Tabelinha do extremo francês com Maxime Lopez (tão simples não é?) e remate de pé esquerdo, com Matheus ainda a desviar.

Abel tentou mexer com o jogo – lançou André Horta, Wilson Eduardo e Hassan – mas o Sporting de Braga continuou inofensivo. O emblema luso acabou o jogo sem um único remate enquadrado com a baliza do Marselha, o que é sintomático do que aconteceu ao longo dos noventa minutos.

Será preciso um Sporting de Braga corajoso, é certo. Mas, sobretudo, o Sporting de Braga terá de apresentar-se a um nível elevadíssimo, mais condizente com a qualidade dos seus intérpretes, para sonhar com uma reviravolta histórica na Pedreira.