O Arsenal teve a possibilidade de carimbar a passagem para a final de Lyon, no próximo mês de maio. Os «gunners» jogaram oitenta minutos em vantagem numérica, mas apenas conseguiram furar, por uma vez com sucesso, a muralha defensiva do Atlético Madrid.

O sofrimento colchonero foi recompensado a nove minutos do final. Pontapé longo de Savic para as costas da defesa do Arsenal, Koscielny fez um corte imperfeito e permitiu que o compatriota, Griezmann, à segunda tentativa, empatasse o jogo. A vantagem que os espanhóis levam para Madrid não se pode dizer que é justo, mas é sem dúvida, merecida. Pelo esforço, pelo sacrifício, por um grande Jan Oblak, enfim, por tudo o que aguentou.

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O Arsenal pode apenas queixar-se de si próprio pelo empate que sabe a derrota. Os londrinos, com o futebol que lhe é reconhecido, sufocaram o Atlético Madrid durante praticamente meia hora. Enquanto alguns adeptos procuravam instalar-se confortavelmente nas bancadas, já Lacazette tinha visto um remate bater no poste e outro terminar nas mãos de Oblak.

O domínio do Arsenal era avassalador e agudizou-se depois da expulsão de Vrsaljko. Em dez minutos, o lateral croata foi expulso por acumulação de amarelos. A partir daí, Oblak agigantou-se e impediu o golo inaugural dos ingleses. Quando não era o guarda-redes esloveno a brilhar, era a falta de eficácia «gunner» a manter o nulo.

Pelo meio, já Simeone tinha sido expulso por protestos. Ainda assim, o Atlético Madrid demonstrou frieza para assentar o seu jogo e agarrar a eliminatória. A pouco e pouco, os espanhóis colocaram em sentido a defesa contrária. Sempre por intermédio de Griezmann, pois claro. Foi o melhor momento do Atleti no encontro que terminou após o regresso dos balneários.

Na etapa complementar repetiu-se a toada inicial dos primeiros trinta minutos. O Arsenal dominava a seu bel-prazer, embora sem criar verdadeiras oportunidades de golo. Lacazette teve de voar para encontrar o caminho para o fundo da baliza de Oblak, um monstro entre os postes. Cruzamento de Jack Wilshere para o cabeceamento certeiro do internacional francês.

Com meia hora pela frente, o Arsenal procurou o golo da tranquilidade. Não só no jogo como na eliminatória. Uma abordagem típica desta equipa. Lacazette esteve perto do bis, mas a cabeçada saiu a centímetros do poste (70’).

O Arsenal acabou por pagar caro a ousadia e a vertigem constante. Griezmann aproveitou um passe longo de Savic e a abordagem errada de Koscielny para empatar. Ospina segurou a primeira tentativa, porém, à segunda, o francês atirou mesmo a contar. Este Atlético, como se sabe, nunca deixa de acreditar.

Jan Oblak voltou a fazer uma defesa soberba a cabeçada de Ramsey e segurou o empate. Um jogo típico do Atlético Madrid, uma equipa que gosta de jogar em sofrimento.

 

O futebol deve ser uma arte, como defende Wenger. Contudo, por vezes, os artistas não conseguem pintar uma verdadeira obra-prima. Nesses momentos, é preciso apenas preservar o quadro sem borratar a pintura. Era o que o Arsenal deveria ter feito, esta quinta-feira.