O Sporting percorreu quase oito mil quilómetros para chegar a Astana, Cazaquistão. Este trajeto, o mais longo das competições europeias, equivale a fazer Porto-Lisboa 23 vezes.

Porém, a longa viagem não levanta apenas problemas relacionados com o descanso dos jogadores. A diferença horária e as temperaturas negativas – as previsões apontam para 18 graus negativos à hora do jogo – são também outros entraves nesta deslocação à capital do Cazaquistão.

O adversário, o Astana, está longe de ser uma das equipas mais temíveis do futebol europeu, mas todas as condicionantes em torno do jogo, podem favorecer a equipa cazaque. Além do jet lag e do frio, há ainda a questão do relvado sintético, um piso completamente diferente àquele a que o Sporting está habituado.

Ora, para perceber melhor o que o Sporting vai encontrar, esta quinta-feira, em Astana, o Maisfutebol conversou com Rodrigo António. O médio brasileiro, antigo jogador do Marítimo e Paços de Ferreira, está há quase um ano no Cazaquistão, ao serviço do Irtysh de Pavlodar.

«Jogar com temperaturas muito baixas é diferente em comparação às temperaturas que se fazem sentir em Portugal, como é natural. É um choque quando saímos do balneário e entramos no relvado. Imagine, aquecemos, entramos no balneário que está quente e depois voltamos para o frio. É um choque tremendo», conta.

Mas afinal, o que podem fazer os jogadores do Sporting para sentirem o menos possível as temperaturas baixas?

«Tive muita dificuldade para me adaptar ao frio quando cheguei. Era complicado suportar o frio no rosto e nas mãos. Usava um óleo ou vaselina para tentar contrariar um pouco o frio (risos). Antes e durante os jogos, os responsáveis do meu clube disponibilizam chá ou café para aquecer. O resto… temos de ter coragem e disposição para enfrentar o frio», relata.

Porém, a Astana Arena possui um teto retrátil, um pormenor que poderá atenuar as temperaturas negativas que se vão fazer sentir. Versão corroborada pelo próprio Rodrigo António.

«Joguei por duas vezes no estádio do Astana (inclusive marcou um golo) e o facto de o estádio ser fechado facilita, porque não se sente tanto a temperatura. É mais agradável para jogar. Além disso, o estádio é um dos mais bonitos do país», retrata.

Se a cobertura resolve um problema, o tapete sintético traz outro. Algo comum no país: «Creio que pode ser um problema. O sintético foi a maior diferença que senti em relação aos outros países onde joguei, apesar do tapete do estádio do Astana ser um dos melhores. A relva é mais dura, a bola não rola da mesma maneira e o jogo é mais lento.»

Por fim, Rodrigo António analisa o adversário dos leões nos 16 avos da Liga Europa. O jogador de 30 anos recusa apontar um favorito, embora reconheça que o Sporting está em vantagem pela experiência e história que tem.

«Não arrisco um prognóstico. Não tenho acompanhado os últimos jogos das duas equipas, mas acredito que o Sporting tenha uma ligeira vantagem. É um clube histórico e com jogadores experientes. Porém, no futebol tudo é possível», refere, antes de apontar os pontos fortes do oponente do conjunto de Alvalade.

«É uma equipa forte quando joga em casa. Gosta de controlar o jogo, mas também sabe jogar bem em contra-ataque. O Astana coloca muitos jogadores em zonas de finalização. Além disso, tem dois extremos que, dentro das suas características, podem causar dificuldades ao Sporting. O Twumasi, joga preferencialmente no corredor direito, é muito rápido e oferece profundidade ao jogo, enquanto o Murtazaev é um jogador que define as jogadas com qualidade e que gosta de entrar com a bola em zonas de finalização, a partir do corredor esquerdo.»

Além da qualidade ofensiva, para a qual Jesus já estará precavido, este Astana tem, naturalmente, fragilidades relacionadas com o controlo da profundidade. Quem o diz é Rodrigo António, conhecedor do adversário do Sporting.

«O Sporting pode explorar as costas dos laterais. Não controlam muito bem a profundidade. O Astana também tem dificuldades em organizar-se rápido quando perde a bola. Acho que a estratégia do Sporting pode passar por aí», aponta.

Espera-se, portanto, um leão feroz capaz de contornar todas as adversidades acima enumeradas.