Figura: Galeno

Há jogadores que fazem os adeptos sonhar. Como Galeno fez os do Rio Ave hoje. Puxou dos galões e assinou, porventura, uma das melhores exibições da curta carreira como sénior. Começou por acreditar quando a eliminatória parecia decidida e acabou por contagiar os restantes colegas. Apontou um bis – o segundo de livre foi fabuloso – e emprestou irreverência, qualidade e velocidade ao coletivo. Ainda assistiu Furtado para o 4-4. É craque, não engana.

Momento: Pospísil, o destruidor de sonhos

O recém-entrado médio checo terminou com o jogo de parada e resposta. Graças a um pontapé cruzado, com a parte de exterior do pé. Não valeu só nova igualdade como deitou o Rio Ave ao tapete e traçou-lhe a sentença nesta prova. Ainda houve mais dois golos – Romanchuk e Furtado -, mas nenhum teve a importância do de PospÍsil.

Menção negativa:

Pelo ar e pelo chão. De bola parada e de bola corrida. De Matheus Reis a Nadjack, passando por Makaridze. As fragilidades defensivas do Rio Ave assustam e merecem olhar atento de José Gomes. É verdade que estamos numa fase prematura da temporada, mas sofrer cinco golos em dois jogos contra o vice-campeão polaco é preocupante. É quase obrigatório que a qualidade de como se ataca seja proporcional à de como se defende.

FILME E FICHA DE JOGO

Outros destaques:

Cillian Sheridan: o que faz um irlandês na Polónia? Golos. Que o diga o Rio Ave. Esta noite, o internacional pela República da Irlanda precisou de apenas uma oportunidade para atirar a contar, aumentando o grau de dificuldade da eliminatória para o Rio Ave. Para além do instinto matador, Sheridan reúne outras qualidades que fazem dele um avançado interessante: sabe jogar de costas para a baliza e é poderoso no jogo aéreo.

Gelson Dala: um golo e uma assistência colocam-no como um dos destaques do encontro. Contudo, é preciso referir que o jogador cedido pelo Sporting se sacrifica em prol da equipa. Atua no apoio ao avançado, porém, o conjunto rioavista joga sobretudo pelas alas, o que faz com que Dala intervenha pouco na manobra ofensiva. Quando o faz, o Rio Ave é muito melhor em termos ofensivos. Destaque ainda para a jogada em que ultrapassou três adversários e atirou para defesa de Kelemen (66’).

Frankowski: deixa Vila do Conde com duas assistências. Diferentes, é um facto, mas preponderantes. Logo a abrir (6’), aproveitou o erro de Matheus Reis para servir Sheridan e, mais tarde (72’) foi inteligente ao levantar a cabeça e assistir com um passe atrasado Pospísil para o golo que arrumou em definitivo a eliminatória.

Romanchuk: o capitão resgatou a sua equipa quando mais foi preciso. Tal como Galeno, fez dois golos na sequência de pontapés de canto. Imperial no jogo aéreo, inteligente a dobrar os seus colegas, conseguiu anular várias jogadas de perigo dos vila-condenses.