A primeira parte aproximava-se do fim. Lá em baixo, no relvado, sucediam-se as interrupções e as escaramuças. Momentos de emoção, quase nada. Oportunidades de golo, ainda menos. Um desvio de Derlei que Helton encaixou sem problemas, um chapéu alto de Izmailov e mais nada. O F.C. Porto tinha mais bola, o Sporting, ultrapassado o trauma alemão, tinha um pouco mais de baliza nos olhos. Só um pouco mais, mas o suficiente para se manter com vida nas contas do título.

Até que Pereirinha cruzou da direita, uma bola longa que Derlei, saltando mais do que Pedro Emanuel, devolveu de cabeça para a zona central. Liedson, emboscado no poste mais distante, ganhou posição a Rolando mas, pressionado pelo central, não conseguiu enquadrar-se da melhor maneira com uma bola que vinha demasiado alta. Em recurso, a um metro da baliza, o levezinho saltou para trás e tocou a bola contra o poste direito de Helton, que já dentro da baliza, esperava o pior.

Enganou-se quem pensou que este era o princípio de uma história diferente para o clássico: o lance de Liedson acabou por ser mesmo o único momento em que o golo foi algo mais do que uma miragem, num confronto de estratégias que, de outra forma, bem podia ter dispensado balizas.