A FIGURA: Yacine Brahimi

Serpente venenosa, enleante, contorcionista. Pela esquerda e pelo centro, perturbador, capaz de desequilibrar num centímetro quadrado de terreno. Cheirou o golo em dois remates, fez uma mão cheia de cruzamentos prometedores e fechou a noite com um notável golo: bola recebida no ar, toque para a direita a enganar o adversário e finalização perfeita. É um dos grandes nomes do título azul e branco. Jogador de talento único.

O MOMENTO: génio argelino, versão 9.0 (minuto 57)

Só Brahimi podia ter feito aquele golo, o seu nono na Liga 2017/18. A elegância com que se desvia do perigo e faz o golo é notável. Dois toques apenas para selar o estatuto de génio. O estádio explodiu.

Veja como foi o FC Porto-Feirense AO MINUTO 

OUTROS DESTAQUES

Iker Casillas

A meio da primeira parte, o Dragão pediu a renovação de Casillas. Cânticos em honra ao espanhol, palavras sentidas, admiração profunda por uma personagem única. Só Iker saberá, por estes dias, se fica ou não no FC Porto. Uma coisa é certa: por estes dias, parece ainda mais absurdo o período – mais de três meses – que passou no banco de suplentes. Noite de pouco trabalho, mas um grande susto num pontapé de Crivellaro, perto da linha do meio-campo. A bola ainda bateu na trave.  

Sérgio Oliveira

Quarto golo no campeonato, aposta mais do que ganha por Sérgio Conceição. Aos primeiros olhares de desconfiança, o médio respondeu com atuações sólidas, muito equilibradas. Durante longos meses, o FC Porto sobreviveu sem Danilo, o pilar-mor, e isso deve-se sobretudo ao entendimento quase telepático criado entre Herrera e Sérgio Oliveira. Além do golo, num remate bem colocado após boa receção no peito, Sérgio teve um par de interceções importantes e muita seriedade do princípio ao fim. Um soldado de infantaria cada vez mais fiável.

Herrera

O homem de confiança, médio dos sete instrumentos. Cumpridor no meio-campo, certinho no centro da defesa. Uma novidade, pois, imposta pela lesão de Diego Reyes. Do patinho feio mexicano já nem um sinal se deteta no futebol de Héctor. Bela temporada, a melhor de dragão ao peito.

Crivellaro

Qualidade em slow motion. Bom executante, refinado, sempre em velocidades soporíferas. A meio da primeira ia marcando um golo do outro mundo: viu Iker ligeiramente adiantado, arriscou do meio-campo e a bola beijou a barra. Fantástico momento.

Ivan Marcano

Ano de ouro para o central espanhol. Sangue frio, cérebro sereno, fortíssimo na marcação e nas dobras aos companheiros. Está em final de contrato e, se sair, será uma perda importantíssima para o FC Porto de Sérgio Conceição. Um senhor em todos os aspetos do jogo.

Ricardo e Alex Telles

Almas gémeas nas laterais da defesa azul e branca. Muito mais do que defesas. Pulmões inesgotáveis, oxigénio interminável, peças fundamentais no processo ofensivo, fundamentalmente neste tipo de jogos. Mais uma noite francamente boa para Ricardo (atenção engenheiro Fernando Santos) e Alex.

Hernâni

45 minutos para um dos jogadores menos utilizados por Sérgio Conceição no campeonato. Tinha só 242 minutos, divididos por 11 jogos. Hernâni divertiu-se e divertiu as bancadas. Enfrentou Kakuba, levou quase sempre a melhor e conquistou um penálti que o VAR transformou (aparentemente bem) em livre direto. Prémio para uma época de paciência.

Moussa Marega

Não nos podíamos esquecer do sprinter maliano. Não fez um jogo extraordinário, mas a quantidade de piques, travagens e arranques que faz durante os 90 minutos é comovente. Um dos grandes obreiros deste título de amor portista, presença quase sempre obrigatória nestes destaques. Podia ter marcado em duas situações, a bola passou sempre a rasar a barra.