FIGURA: Kuca

Não era titular há três meses. E é unânime dizer que em boa hora Jorge Simão o lançou para o lugar do castigado Yusupha. Entre dribles desconcertantes – Pereirinha que o diga – e correrias desmesuradas, o cabo-verdiano encontrou fôlego e discernimento para assinar um dos melhores golos desta Liga, o terceiro da conta pessoal.

MOMENTO: obra de arte africana

Um momento delicioso do extremo de Kuca. O cabo-verdiano provou que nunca é tarde para assinar um dos melhores golos da Liga. Tudo começou numa recuperação em zona adiantada de David Simão. A bola chegou a Espinho que picou para a entrada do extremo. Kuca viu a bola no ar, deu-lhe um toque subtil para que esta contornasse Gonçalo Silva, esperou que perdesse altura e fuzilou Muriel. Um golo que vai bem a tempo de entrar para os melhores da Liga.

NEGATIVO: Bruno Pereirinha

Ocupou o corredor direito da defesa a cinco do Belenenses e teve uma noite desastrada. Foi constantemente ultrapassado por Kuca e ao fim de 42 minutos foi expulso. Imprudência extrema no lance que dá origem ao segundo cartão amarelo: dominou de peito e, ao invés de atrasar para o guarda-redes, tentou driblar Rochinha. Perdeu a bola e fez falta, como que pedindo a Rui Oliveira que o expulsasse.

OUTROS DESTAQUES:

Espinho: funcionou como elo de ligação entre o meio-campo e o ataque. E como lhe assenta bem esse papel. Entende-se às mil maravilhas com David Simão e foi em mais uma combinação entre os dois que nasceu o golo do Boavista. O seguimento dado por Espinho ao lance – picou para a entrada de Kuca – é de craque. Ainda tentou o golo mas os seus remates ora esbarraram em Muriel, ora saíram longe do alvo.

Cleylton: foi preciso esperar pela derradeira jornada da Liga para se estrear como titular. E talvez, esta noite, se tenha percebido por que razão. Mau posicionamento, passes errados em doses industriais, intranquilidade constante foram as credenciais apresentadas pelo central brasileiro. Ainda tentou, de muito longe visar a baliza de Vagner, mas o pontapé saiu desastrado. Enfim, um lance que espelha a sua exibição.

André Sousa: tomara Silas ter mais jogadores como André Sousa. O bom posicionamento, a inteligência e o pé esquerdo de grande qualidade permitiram-lhe criar as melhores jogadas do Belenenses no jogo. É um dos jogadores que prendem o olhar pela qualidade que possuem. Pareceu sempre muito desacompanhado pelos seus colegas, que raras vezes souberam dar o melhor seguimento aos lances por si criados.

Muriel: exibição bastante positiva. Sem hipóteses no golo sofrido, realizou uma mão cheia de intervenções de grau de dificuldade elevada que permitiram ao Belenenses manter-se na discussão do resultado.