Paulo Fonseca tinha avisado que, não só o Boavista é uma equipa difícil de defrontar, como o Bessa é um reduto complicado para jogar. Os avisos do treinador arsenalistas acabaram por prever a realidade do jogo, que os 19 pontos que separam as equipas poderiam não denotar. Apesar de ter dominado grande parte do jogo, o Sp. Braga saiu do Bessa com apenas um ponto, e a situação até poderia ter sido pior. Para o Boavista, o pontinho foi precioso e já permite à equipa respirar acima da linha de água.
 
O Sp. Braga entrou em campo com a maturidade que lhe tem sido característica. Deixou, nos primeiros minutos, a iniciativa do jogo à equipa da casa, ansiosa por marcar para voltar à tona. Luisinho, Rúben Ribeiro, e Iriberri, tentavam chegar junto da baliza de Marafona – que pela primeira vez defendeu as redes arsenalistas -, mas acabavam sempre por esbarrar na defesa do Sp. Braga.
 
Depois de ter analisado a forma como o adversário trocava a bola e se movimentava no terreno, o Sp. Braga pegou no jogo e começou a controlar o ritmo da partida. Josué, Alan e Vukcevic, mandavam num meio campo que contava ainda com a ajuda de Ringstad e Baiano para levar a bola para a frente e cruzar para a área.
 
Talvez por substimar o adversário, ou até falta de energia, num mês pejado de jogos, o Sp. Braga não carregou muito no acelerador. Ia levando a bola para o último terço do terreno, confiante que o golo surgiria a qualquer momento. E parecia mesmo questão de tempo.
 
Mika nem foi obrigado a grandes defesas na primeira parte, mas os defesas não tiveram mãos a medir para impedirem males maiores.
 
O ataque do Boavista teve raras aparições na primeira parte, tendo despertado do stand-by apenas na parte final. De repente, contra a corrente do jogo, as panteras deitaram as garras de fora. Em cima do intervalo, Marafona saiu bem e defendeu para a frente um cruzamento de Afonso para a área, assim como a regarga de Renato Santos. A bola voltou a ficar em Renato Santos, que atirou contra Vukcevic.
 
Foi neste momento que o apito interrompeu o encontro e, quando recomeçou, após intervalo, o Boavista ainda parecia vir embalado com esse lance.
 
A segunda parte foi mais aberta, com jogo mais dividido, e, apesar de o Sp. Braga ter tido mais posse, o Boavista deixou a sua área de conforto e arriscou mais. Aos 52 minutos, Phillipe esteve muito perto do golo, mas, de costas para a baliza, acabou por não conseguir virar-se em condições para dar o melhor destino à bola.
 
Luisinho, Hackman e Iriberri também tentaram a sorte, mas Marafona e os defesas acabaram sempre por conseguir resolver. O primeiro ainda colocou mesmo a bola na baliza, mas estava em fora de jogo.
 
Até que, aos 65 minutos, um chapéu de Josué parecia ser o primeiro golo do jogo. Só Hackman não se deixou convencer pelo destino certo e conseguiu o corte quase em cima da linha de golo.

Paulo Fonseca, que já tinha tirado Alan para fazer entrar Rafa, voltou a mexer na equipa. Fez sair um apagado Wilson para a entrada de Hassan, mas, melhor oportunidade de golo só surgiria no último minuto de jogo, já com o Sp. Braga reduzido a 10, com a expulsão de André Pinto, aos 78. No último suspiro, a um livre de Josué na esquerda,  Arghus respondeu com uma cabeçada ao segundo poste, para defesa do guarda-redes axadrezado.
 
O Boavista conseguiu duas coisas que o treinador Erwin Sanchez pretendia: somar pontos para passar para cima da linha de água, e acabar o jogo com 11 jogadores.