Cristián Daniel Arango Duque. 22 anos, natural da cidade colombiana de Medellín. Cristián Arango no futebol, atual detentor da camisola número 99 do Desportivo das Aves, onde evolui por empréstimo do Benfica.

Em entrevista ao Maisfutebol o jovem jogador relembrou os primeiros passos da carreira, que considera que começou já tardiamente aos nove anos, mas ainda assim apontou nove golos no jogo de estreia, levado pela mão do pai.

Quis sentir-se como jogador depois de jogar na rua e o feito do primeiro jogo deixou o treinador «encantado» ao ponto de ter botas e equipamento sem ter de pagar nada, ao contrário dos outros meninos.

Aos 22 anos conta com uma passagem pela equipa B Valência e depois de ter começado a jogar no Envigado chegou ao Millonarios, um dos clubes mais emblemáticos do seu país, a ponto de chamar a atenção do Benfica. Conheça a história de Arango.

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Onde começou a jogar futebol, ainda se recordas como tudo começou?

Sim. Os meus primeiros passos como jogador foram no futebol popular, num bairro em Medellín, onde me criei. Comecei por jogar na rua, depois por iniciativa do meu pai fiz o meu primeiro jogo. Estava em casa e ele disse-me ‘vais jogar um jogo de futebol numa equipa’. Foi um grande momento para mim, era o que queria. Queria sentir-me como jogador e o meu primeiro jogo foi aos nove anos, um pouco tarde, mas já tinha alguma experiência a jogar na rua. Serviu-me de muito, nesse jogo fiz nove golos, e o treinador ficou encantando comigo. Fui o único jogador que não tive de pagar para continuar a jogar no Envigado, davam-me a roupa e as botas. As primeiras botas que tive foram graças a este treinador, que foi muito importante para a minha carreira. Chama-se Juan Carlos Sepúlveda.

Foram esses nove golos que o levaram a ser avançado?

Sim, sempre joguei no ataque. Joguei muitas vezes no meio campo ofensivo também, mas gosto mais de jogar no ataque, ou como avançado ou como extremo. É onde me sinto melhor no campo e onde penso que é melhor para as minhas características.

Como se deu a passagem para o futebol profissional?

Na Colômbia, em Medellín, jogava no futebol amador e graças ao nível que tinha fui à seleção departamental de Antioquia, que representa uma região. Em três anos fui campeão duas vezes com a seleção e fui o melhor marcador nos três campeonatos. Logo após terminar, terminou numa sexta-feira, na segunda-feira seguinte chamaram-me à primeira equipa do clube em que jogava, o Envigado Futebol Clube. O treinador ligou-me a dizer para treinar na primeira equipa e não demorou muito a ser chamado ao meu primeiro jogo. O treinador gostou muito do que fiz durante os treinos e colocou-me logo na equipa titular, viu que fiz um grande jogo num amigável e depois levou-me ao primeiro jogo oficial. Foi uma fase muito importante na minha carreira.

Acreditaram sempre que podia ser profissional, a nível pessoal e também familiar, por exemplo o seu pai, que teve a iniciativa de o levar para o Envigado a primeira vez?

Sempre acreditámos. Foi sempre o que quis e foram sempre os meus objetivos, mesmo desde que tenho um filho. Depois os meus pais sempre foram o pilar mais importante da minha carreira, o que sou como jogador devo aos meus pais, que me transmitiram a personalidade para me saber comportar dentro e fora de campo. Gosto de ser muito respeitador prefiro ser melhor pessoa do que jogador, mas o meu sonho sempre foi ser jogado de futebol.

Deu o salto para o Valência. O sonho era esse, chegar ao futebol europeu?

Tive sempre esse sonho, claro, de jogar no futebol europeu. Já tive uma experiência em Espanha, onde demorei a dar nas vistas. Só comecei a jogar a meio da temporada e na meia temporada em que joguei penso que foi uma grande experiência para mim, poder aprender mais sobre o futebol europeu foi muito satisfatório. Nessa meia temporada fiz nove golos, o que foi muito importante para a minha carreira.

Esperava ter chegado à equipa principal do Valência?

Desde que assinei contrato sabia que ia treinar com a equipa principal, mas ia jogar na segunda equipa. Dependendo do meu rendimento poderia subir de nível. Queria ter permanecido mais tempo em Valência, era o que eu queria, mas não cumpriram com as expetativas do Envigado. Por isso, o Envigado decidiu que eu deveria voltar porque tinha boas opções. Penso que acabou por ser uma boa decisão para a minha carreira, já que tive uma boa prestação e boas equipas ficaram de olho em mim, possibilitando jogar em clubes importante da Colômbia e da América do Sul, o que me proporcionou ter depois opções em Portugal e noutras partes da Europa.

Deu o salto para o Millonarios, um grande clube da Colômbia. É por isso que diz que foi uma boa opção ter regressado ao seu país? Foi a sua melhor época?

Penso que a minha melhor época até agora foi no Valência, apesar de ter regressado de imediato ao Envigado, onde fiz cinco golos em seis meses. No Millonarios, onde houve uma troca de treinador, o treinador queria-me, joguei minutos importantes onde apontei quatro golos em seis meses. Penso que foram uns minutos adequados e penso que foi importante para voltar à Europa.

artigo atualizado: hora original 23h47, 7-12-2017