Paços de Ferreira e Belenenses não foram além de um empate a uma bola. Porém, a igualdade não traduz o que se passou no encontro (sobretudo no primeiro tempo) e, muito menos, a dissemelhanças gritantes entre os dois conjuntos.

A sofreguidão e a precipitação dos castores contrastou com a tranquilidade e sobriedade dos azuis do Restelo. Consequentemente, foi o Belenenses quem evidenciou sempre melhor qualidade para chegar perto da baliza de Rafael Defendi.

É obrigatório abrir um parêntesis para elogiar a ideia de Jorge Silas. O futebol de toque, apoiado e variado do Belenenses é um regalo para vista e, a cada semana, traduz-se numa melhoria nos resultados. Como antigo jogador, o técnico da formação de Belém valoriza de sobremaneira os seus jogadores e o próprio jogo.

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Foi com essa ideia de um futebol rendilhado que o Belenenses criou várias situações promissoras. Nathan falhou o pontapé em boa posição (6’), Diogo Viana atirou por cima à entrada da área (12’). Mais tarde, Licá desperdiçou as duas melhores ocasiões do Belenenses na primeira parte: ao minuto 22, atirou ao lado e, depois, falhou sozinho o cabeceamento na pequena área (41').

O Paços de Ferreira encontrou na verticalidade e no jogo exterior condições para contrariar o futebol apresentado pelos homens de azul. Mérito de João Henriques, naturalmente. Filipe Ferreira e Bruno Santos ocupavam o espaço central enquanto Mabil e Xavier permaneciam colados à linha lateral. O australiano – uma das quatro novidades no onze pacense – colocou a ideia em prática. Recebeu de Bruno Santos e ganhou a linha final. O cruzamento encontrou Luiz Phellype que, à boca da baliza, viu o cabeceamento esbarrar na trave (11’).

O avançado brasileiro, que antes já enviado uma bomba ao lado da baliza de André Moreira (6’), redimiu-se do falhanço na pequena área. A jogada foi quase tirada a papel químico da anterior, mas com desfecho diferente. Xavier aguentou, conduziu para a linha e tirou um cruzamento sensacional e Luiz Phellype adiantou o Paços de Ferreira.

Enquanto o Belenenses se recompunha do golpe sofrido, o Paços de Ferreira aproveitou para ter bola, baixar o ritmo de jogo e circular a bola. Porventura, exigia-se outra abordagem. Como referido anteriormente, o Belenenses voltou a ganhar ascendente no jogo e dominou a seu bel-prazer, ameaçando a escassa vantagem do seu opositor. O crescimento dos forasteiros no jogo deveu-se à mudança no desenho tático: Persson deixou o centro da defesa e subiu para o meio-campo, deixando a equipa montada em 4x3x3.

O resultado ao intervalo era injusto. Por isso, logo a abrir a segunda parte, Maurides restabeleceu a igualdade e conferiu justiça ao marcador. A assistência de Diogo Viana é primorosa, a finalização do brasileiro não ficou atrás: desvio acrobático, antecipando-se a Rui Correia.

A partir daí, o jogo entrou numa fase desinteressante. Lutou-se muito, perderam-se muitas bolas e falharam-se passes simples. Acabou por ser o Paços de Ferreira – já com Bruno Moreira ao lado de Luiz Phellype – a estar perto do golo da vitória. Porém, o remate do avançado português esbarrou nas luvas de André Moreira.

Os instantes finais ficaram marcados por protestos veementes dos pacenses acerca de duas decisões de Manuel Mota na área do Belenenses. Rúben Micael e um elemento do Paços de Ferreira foram expulsos, no banco de suplentes. No meio do desnorte, Pedrinho teve a frieza necessária para disparar de meia-distância, mas viu a tentativa ser travada por André Moreira.

O jogo merecia outro final. Ainda assim, o resultado acaba por agradar mais ao Belenenses que praticamente selou a permanência. O Paços de Ferreira pode acabar a jornada em zona de descida.