Nos tempos mais recentes, desde aquela visita a Penafiel, os jogos que metem a equipa de Marco Silva nunca ficam por meias medidas: quatro golos primeiro, quatro golos depois, sete golos Alemanha e mais seis golos este domingo.

Bem feitas as contas são 21 golos em quatro jogos e uma média superior a cinco golos por jogo. Admirável, não é?

Mas não é tudo.

Para além dos golos há reviravoltas, incerteza e jogo sempre até ao fim. Esta noite, por exemplo, houve também bolas nos ferros e uma enxurrada de ocasiões de perigo.

Os jogos do Sporting valem muito a pena, no fundo. Pelo menos ninguém os pode acusar de serem monótonos: não o são nem na forma nem no conteúdo.

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Não o são na forma porque são vibrantes, sempre a um ritmo alto, com uma pressão asfixiante do Sporting que muitas vezes traz ao de cima também o melhor dos adversários. Não o são no conteúdo, enfim, pelo que está à vista: e o que está há vista são sobretudo os números. Gordos.

Convém de resto referir que, no dia em que recuperou a camisola Stromp, o Sporting voltou a viajar a Inglaterra para impressionar.

Há precisamente 106 anos fê-lo através Eduardo Quintela de Mendonça, um fundador do clube que trouxe da ilha britânica as camisolas bipartidas entre verde e branco que na época encantaram o país. O tal equipamento Stromp. Esta noite fê-lo através de Nani, o reforço descoberto de graça em Manchester e que continua também ele a encantar o país.

Só na primeira parte, aliás, a equipa fez três golos e pareceu então resolver o jogo.

Não resolveu, como se veria mais tarde, mas foi uma primeira parte de luxo e que teve sempre Nani no centro da ação: fez duas assistências, atirou duas vezes a rasar o poste e sobretudo pegou na batuta do futebol leonino para 45 minutos de excelente futebol.

No entanto, lá está, este Sporting não se compadece com monólogos monótonos. Infelizmente, diriam os corações mais débeis (e devia haver alguns entre os 37 569 espetadores).  

Destaques: Nani, sempre a empurrar o leão 

Por isso diminuiu a pressão asfixiante da primeira parte, deixou que Marítimo pensasse o jogo, como não lhe tinha sido permitido fazer antes, e em menos de cinco minutos Maazou marcou dois golos que relançaram o encontro. Dois golos pela esquerda, onde estavam Jonathan e Maurício.

O Marítimo, convém dizê-lo, é uma boa equipa. Não é à toa que partiu para esta jornada em quinto lugar. Comete erros na defesa, mas tem um ataque muito forte: rápido e incisivo. Por isso não foi boa ideia deixar o adversário pensar.

Até porque se há coisa que este Sporting faz bem, é não deixar o adversário respirar. Asfixiou este mesmo Marítimo por exemplo em vários momento da primeira parte, e com evidentes bons resultados.

No início da segunda parte relaxou um pouco, sofreu dois golos e obrigou-se a ser outra vez superior, como se não tivesse havido primeira parte.

Nessa altura surgiu então uma grande assistência de Adrien para um grande golo de Montero, no momento mais bonito da noite. Um golaço. Surgiu também um remate de Nani à trave e um golo bem anulado a Capel.

A vitória do Sporting não sofre enfim contestação: nem a vitória nem a vertigem desta equipa por caprichar na emoção...