O Benfica demorou uma eternidade a ser tetracampeão, um feito que buscava desde os anos 1930, mas, quando o fez, fê-lo com melhor rendimento que os outros.

Os rivais Sporting e FC Porto conseguiram o tetra bem antes das águias. Os leões na década de 50, os dragões no final dos anos 90 e, de novo, na primeira década do século XXI.

Os azuis e brancos deram sequência aos quatro campeonatos consecutivos em 1998/99, temporada em que conseguiram um exclusivo penta.

A hegemonia portista sobre os restantes foi grande nesse período, mas, reportando apenas a tetracampeonatos, o Benfica de Jorge Jesus e Rui Vitória conseguiu melhor percentagem de pontos do que esse FC Porto de Bobby Robson e António Oliveira.

Aliás, os encarnados conseguem, inclusive, fazer melhor que o Sporting do início da década de 1950, uma equipa que já não contava com a totalidade dos Cinco Violinos, mas que ainda assim dinamitou defesas adversárias.

Com o triunfo sobre o V. Guimarães o Benfica selou o tetra e, aconteça o que acontecer na última jornada no Bessa, com o Boavista, terá sempre melhor aproveitamento pontual do que os rivais nos períodos em que foram tetracampeões.

Os números do grande leão

Entre 1950/51 e 1953/54, o Sporting dominou o futebol português. Aliás, já o vinha a fazer antes com Jesus Correia, Vasques, Albano, José Travaços e Peyroteo, os Cinco Violinos que o deixaram de ser quando o último deixou de jogar em 1949.

Ainda assim, os quatro restantes mantiveram-se e a máquina ofensiva do leão continuou a fazer estragos. Antes de Jesus Correia optar pelo hóquei em patins, o leão faz duas temporadas em que marca 91 golos em cada, em 26 jogos que o campeonato tinha. O aglomerado das quatro épocas termina com 339 golos marcados em 104 partidas, ou seja, uma incrível média de 3,26 golos/jogo.

Pode argumentar-se que o futebol era diferente na altura e se o melhor ataque dos tetracampeonatos é do leão, a pior defesa também: média de 1,03 golos jogos. No entanto, o poder do ataque verde e branco na altura ganha argumento com os 232 golos de diferença entre marcados e sofridos: é o melhor registo dos tetras.

Na pontuação, o leão conseguiu 82,69 por cento dos pontos que podia ganhar. Era, até agora, a melhor percentagem.

O tetra do FC Porto metido no penta

Se o Sporting dominou o início da década de 1950, o FC Porto tornou-se na única equipa até hoje a vencer cinco campeonatos seguidos. O tetra aí inserido começou com sir Bobby Robson e terminou com António Oliveira.

Diga-se, desde já, que as impressões que o futebol brilhante daquela primeira equipa do inglês deixou na História confirmam-se pelos números. O FC Porto de 1994/95 é uma de nove equipas da História do campeonato que conseguiu mais de 90 por cento dos pontos em disputa.

Nesta comparação que fazemos, é, aliás, a única a conseguir chegar lá, naquela que foi a última Liga disputada com a vitória a valer dois pontos.

O segundo ano de Robson já não foi tão produtivo, mas o primeiro tetracampeonato do FC Porto perde, sobretudo, na última época de António Oliveira ao leme: 75,49 por cento dos pontos.

Neste período, os dragões conseguem ter o sétimo melhor campeão de sempre (1994/95) e o sexto pior (1997/98). É por causa deste último que a percentagem do tetracampeonato cai para 82,35.

Se o segundo tetra foi assim, imaginem quem ficou atrás

O FC Porto é a única equipa a ser tetracampeã duas vezes. Ou uma vez penta e outra tetra. Ora, Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira foram os treinadores campeões entre 2005/06 e 2008/09.

A primeira pergunta a colocar é a seguinte. Que ideia histórica tem da equipa do holandês? Uma equipa ofensiva, estruturada naquele 3x1x3x3? Uma máquina de ataque, com problemas defensivos? Pois bem, em 34 jornadas, ou seja, tantas quanto o campeonato atual, o FC Porto de Adriaanse fez apenas 54 golos e sofreu somente 16.

As três temporadas seguintes de Jesualdo Ferreira melhoraram o nível ofensivo do dragão: a Liga passou a ser a 30 jogos e o FC Porto marcou pelo menos 60 golos. No entanto, apenas uma dessas equipas chegou a ter mais de 80 por cento de aproveitamento.

Na época de 2007/08, os portistas ganharam 83,33% dos pontos em disputa, mas perderam seis na secretaria devido ao processo Apito Final. Assim, terminaram com 69 oficiais apesar de as 24 vitórias e três empates corresponderem a 75.

 

Mesmo que se somem os 75 à equação, o segundo tetra do FC Porto teve um aproveitamento total de 78,76. Com a redução para 69 nos pontos relativos àquela época, a percentagem desce para 77,15.

Quer isto dizer que o segundo tetra portista é aquele em que o aproveitamento foi mais baixo. Imagine-se, portanto, os números de quem nem foi campeão.

Se ao tetra portista se juntar a época imediatamente anterior, fica-se com a ideia de que o nivelamento estava bem baixo na Liga: o Benfica de 2004/05 é o pior campeão da História.

Este período de quatro anos do FC Porto é, no entanto, aquele em que um tetracampeão menos golos sofreu.

Benfica: no global, Vitória rendeu mais do que Jesus

O futebol português vive o último dos tetras, o primeiro do Benfica. As águias demoraram a conseguir imitar feito dos rivais, mas quando o fizeram, pode dizer-se, fizeram-no melhor.

Jorge Jesus e Rui Vitória são os responsáveis por duas ligas cada um. O que só por si é algo que antes não acontecera: um tetra conquistado apenas com treinadores portugueses, a confirmar a tendência da última década no futebol nacional.

O atual treinador do Sporting teve um aproveitamento global de 82,81 por cento dos pontos, enquanto Rui Vitória teve a melhor e a pior temporada do tetra encarnado: ainda assim, bate o antecessor, ao garantir 84,07 por cento dos pontos em disputa no conjunto de 2015/16 e 2016/17, temporada que ainda não acabou.

Ora, mesmo que o atual campeonato ainda tenha mais uma jornada, a verdade é que o rendimento encarnado destas quatro épocas já é melhor que o de Sporting e FC Porto nos anos de tetra.

Entre a primeira jornada de 2013/14 e a 33ª de 2016/17, estiveram em disputa 393 pontos. O Benfica somou 328, ou seja, tem um aproveitamento de 83,46 neste momento. Melhor do que os 82,69 Sporting da década de 50.

A uma jornada do fim, os cenários do Boavista-Benfica não alteram o facto de o rendimento do tetra das águias ser o melhor da História.

Se perderem, os encarnados descem para 82,83%. O suficiente para apresentarem registo melhor do que as também gloriosas equipas de Sporting (82,69%) e FC Porto (82,35 e 77,15).

Em suma, o Benfica precisou de render mais do que os rivais para alcançar o primeiro tetracampeonato do historial do clube.