Uma escrita escorreita, limpinha, cheia de imagens, com títulos prosaicos e uma série de metáforas que prendem o leitor e o fazem devorar com uma vontade ávida as 127 páginas que percorrem a vida do guarda-redes. O aspecto gráfico será o melhor de todos os livros de gente do futebol lançados nos últimos tempos, o papel tem uma qualidade próxima da folha de revista e as imagens trazem realmente uma mais-valia à obra, fotos desconhecidas, bem integradas e potenciadas pela qualidade do papel.
Do percurso de uma vida revisitada nos seus momentos mais importantes sobram algumas revelações curiosas, sobra também uma opinião nova sobre algumas das polémicas - a zanga com Mourinho, o período negro de Barcelona, a insistência de Scolari em não o chamar à selecção -, mas sobram sobretudo pequenas estórias, a cobiça do Benfica, o dia em que um formigueiro no braço quase lhe colocou a vida em risco, o período em que teve de deixar o futebol para se alistar na tropa. Muitas estórias embrulhadas num livro acompanhado de um DVD bem montado, onde a entrevista de Miguel Sousa Tavares explora o que ficou por escrever.
Mas voltemos ao livro. Começa assim: «DEZ DEDOS DE CONVERSA. Chamei a esta introdução Dez dedos de conversa porque são dez os capítulos em que a autobiografia está dividida, como são dez os dedos das mãos. As MÃOS de um guarda-redes estão sempre na mira do adversário e do adepto. Segurar a bola, agarrá-la, dizer com força É minha. É o diálogo que tenho quase inconscientemente com elas. Porque um dia percebi que tenho mãos de guarda-redes. Entendam isto como uma imagem, já que todo o corpo é fundamental para um guarda-redes. Ainda assim dou graças a Deus pelas mãos que me deu. Convido-os agora a entrarem nesta conversa comigo, com a esperança de que saiam satisfeitos quando chegarem ao fim da história, porque um dia vou voltar para a completar».Comentar este artigo


Último comentário
O triste mundo do Rio.
Este Sr. Rio anda enganado no que quer ler e comentar.
É claro meu caro, que a auto-biografia do Vitor Baía é um facto relevante para quem gosta de Desporto em geral, e do Baía em particular.
O Vitor Baía não é "um simples profissional de futebol". É um grande profissional e um grande Homem dentro e fora dos relvados.
Se resolveu escrever a sua autobiografia, é porque tem alguma coisa para compartilhar com as pessoas.
O Sr. tem? Se tem escreva-a.
Para além disso, aproveita para doar toda a receita do livro a crianças que não foram bafejadas pela sorte e são doentes.
O Sr. também faz isso no seu dia a dia? Não? Então faça.
Se lhe parece estranho falar-se em coisas tão pouco "importantes" como esta, tem uma boa solução. Não visite este tipo de Sites, e já não ficará tão "chocado".
Visite os que lhe são intelectualmente(?) mais próximos.
Pobre País este, com tanto rio e tão pouca "água".