É já um bebé do novo milénio. Nasceu a 20 de maio de 2000, tem 17 anos, é português e uma das grandes surpresas na lista de convocados do treinador Jurgen Klopp para o jogo que pode levar o Liverpool à final da Liga dos Campeões.

Trata-se de Rafael Euclides Soares Camacho. Um extremo de origens angolanas com escola de Sporting a despontar em Inglaterra. O desporto até vem de família, já que Rafael é filho de Euclides Camacho, antiga figura do basquetebol angolano, que também passou por Portugal.

Rafael apareceu nas escolinhas dos leões com oito, nove anos. Era mais um de muitos a tentar singrar no mundo do futebol.

Ficou cerca de cinco anos pelos leões até ao escalão de Infantis e daí apareceu o interesse do Manchester City, por onde passou em 2014 e 2015. Acabou, contudo, por não ficar nos citizens, que viram uma proposta por Camacho então recusada. «Percebi que o Manchester City é um clube comprador, não aposta muito na formação de jovens talentos, daí a recusa», explicou, em 2017, o pai e empresário Euclides Camacho, ao Jornal de Angola.

Regressou ainda a Portugal, por empréstimo, ao Real Sport Clube. No meio de tudo, já o Liverpool na calha. Atentos ao cenário de Camacho com o Man. City, os Reds avançaram para a aquisição no final da época 2015/16. «Ainda cheguei a falar com a direção do Real Madrid, mas acabei por optar pelo Liverpool, é um dos melhores clubes de Inglaterra na formação de jovens talentos», detalhara Euclides Camacho.

A afirmação em Anfield e a seleção

A temporada passada, 2016/17, a primeira no Liverpool, Camacho apontou quatro golos em 21 jogos ao serviço da equipa de sub-18. Os primeiros sinais de uma afirmação com Jurgen Klopp na mira.

Esta temporada, tem atuado pelos mesmos sub-18, sub-23 e, pelo meio, os sub-19, estes orientados por Steven Gerrard. Uma lenda do clube que já reconheceu o potencial de progressão a Camacho. Inclusive na posição de lateral.

«O Rafael Camacho vai provavelmente dizer que não é a sua posição preferida [ndr: lateral] mas ele pode tornar-se um lateral de topo, se quiser», referiu Gerrard, em novembro de 2017, após um jogo ante o Sevilha, para a Youth League.

Pelo meio, Rafael estreou-se pela seleção de Portugal nos sub-16, a 24 de novembro de 2015. E logo com um golo, no empate 3-3 ante a Bélgica.

Conta, ao todo, 20 presenças entre os sub-16 e sub-17: 11 pelo primeiro escalão, as restantes nove pelo segundo. Apontou um total de sete golos, segundo dados da Federação Portuguesa de Futebol.

Nos números desta época, só falta mesmo marcar pelos sub-23. E a estreia pela equipa principal.

  • Rafael Camacho, época 2017/2018

Sub-18: 17 jogos, 8 golos

Sub-19: 8 jogos, 1 golo

Sub-23: 3 jogos, 0 golos

O «black Ronaldo» irreverente com e sem bola

Regularmente utilizado pelos flancos, em apoio ao ataque, Rafael Camacho demonstra grande apetite e gosto pelo ataque à baliza contrária. É rápido, com e sem bola. Tem arranque fácil a partir do meio campo, galgando metros. E, quando na posse, encara de forma destemida o adversário no um para um. Quando tem oportunidade, tenta o golo, sobretudo em remates de meia distância, após diagonais das alas para o meio.

Não é à toa, por isso, que é conhecido como o «black Ronaldo» entre os demais colegas, atendendo ao jeito hábil com que trata a bola com tenra idade. Tal como CR7 já mostrava nos primeiros passos em Alvalade.

Aliás, Camacho já foi mesmo homenageado por Ronaldo, que lhe enviou a camisola sete do Real Madrid no início deste ano. Na altura, o jovem luso-angolano rejeita comparações.

«Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo e, por isso, quando dizem que tenho algumas características dele, só pode ser fator de motivação. Sigo muito a carreira de CR7 e, para mim, o maior exemplo que nos dá é que o talento não basta. Temos de trabalhar muito», declarou Camacho, em janeiro último, ao Jornal de Angola.

Nas últimas semanas, além de outros jovens como Conor Masterson e Curtis Jones, Rafael Camacho treinou com a equipa principal e merece agora a chamada «milionária» de Klopp.

Resta saber se – e quando – Camacho pode estrear-se em absoluto como sénior. E com a possibilidade de o fazer por um dos históricos do futebol inglês. Tal como a fizera João Carlos Teixeira, em 2014.

Veja o que vale o jogador: