Cabeça. Cabeça. Nos momentos decisivos de muitos jogos de futebol, é normal ver treinadores e jogadores ir com o indicador à cabeça a mostrar aquilo que é mais importante nessas alturas: ter cabeça.

Hoje, no Mundial, foi também esse o fator decisivo, ainda que num outro nível. Dos seis golos marcados nos dois jogos dos quartos de final que se disputaram hoje, cinco foram marcados - lá está - de cabeça. E quem teve mais, seguiu em frente: Inglaterra e Croácia marcaram ambas duas vezes dessa forma e marcaram também encontro nas meias-finais, 28 e 20 anos depois, respetivamente.

Ora, dos 14 jogadores ingleses que neste sábado contribuíram para devolver a seleção dos Três Leões a umas meias-finais do Mundial, apenas três já eram nascidos da última vez que tal acontecera, em 1990. Foram 28 anos de ausência e, arriscamos, os únicos dos 23 convocados que podem ter algum tipo de memória dessa fase final em Itália serão Gary Cahil e Ashley Young, que tinham quatro anos quando Inglaterra foi eliminada pela Alemanha nos penáltis.

E isto mostra um pouco da sede que os ingleses têm de mundiais. A boa notícia que seguiu da Rússia para Terras de Sua Majestade é que a equipa de Southgate aproximou-se da fonte. Numa mais eficaz do que vistosa vitória sobre a Suécia, a Inglaterra garantiu o apuramento para a final, onde vai defrontar a Croácia.

Um apuramento com muita cabeça, está bom de ver. Primeiro a de Maguire e depois a de Dele Alli, com dois golos que aumentaram para cinco o total de cabeceamentos certeiros da seleção inglesa neste Mundial.

E se a receita é vencedora, por que não repeti-la? A especialidade até pode ser inglesa, mas a Rússia e a Croácia fizeram as suas próprias versões. Kramaric e Vida tiveram cabeça para virar um jogo que o pé esquerdo de Cheryshev começou por fazer pender para a Rússia, mas Mário Fernandes – de cabeça, pois claro – levou tudo para o desempate nas grandes penalidades.

E aí, Smolov e Mário Fernandes falharam e, apesar de Akinfeev ainda ter defendido a tentativa de Kovacic, foi mesmo a Croácia a seguir em frente, onde vai, então, encontrar a Inglaterra.   

Neste que é o regresso da Croácia às meias-finais, onde já esteve em 1998, ano em que conseguiu o seu melhor resultado de sempre, com o terceiro lugar da equipa que tinha como uma das principais figuras, Davor Suker… atual presidente da federação croata. Que também não era nada mau no jogo aéreo. Coincidências, com certeza. 

FIGURA DO DIA: Jordan Pickford. O guarda-redes inglês já havia sido decisivo no apuramento da Inglaterra para os quartos de final, não só pelo desempenho nas grandes penalidades mas, sobretudo, por uma defesa nos últimos instantes do prolongamento dessa partida diante da Colômbia, após remate de Uribe. Agora, voltou a ser inscrever o seu nomo como o herói do regresso inglês às meias-finais de um Mundial, com três defesas excecionais, todas na segunda parte, que seguraram o sonho inglês.

FRASE DO DIA: «Toda a Rússia está apaixonada por nós.» A desconfiança deu lugar ao orgulho. A Rússia encarava a participação da sua seleção com grande desconfiança antes do arranque da competição. O 70.º lugar no ranking, o pior entre os 32 participantes, fazia prever dificuldades à anfitriã que, porém, provou ao longo da prova que não havia, afinal, razão para vergonhas. E a verdade é que «orgulho» é a palavra mais vezes repetida pelos adeptos ouvidos após a eliminação, nas grandes penalidades, aos pés da Croácia.

IMAGEM DO DIA: O sonho russo ao fundo. A jogar em casa e apesar de até ter superado as melhores expectativas, a equipa de Cherchesov esbarrou nas grandes penalidades, onde, da desilusão da anfitriã emergiu a festa croata. A ilusão do povo russo crescera conforme a sua seleção foi ultrapassando patamares e, no momento da despedida, fica o orgulho. Apesar da dor.