A ideia foi crescendo nas mentes de vários amigos de Santarém e assume por estes dias contornos bem reais. Gonçalo Veiga e seus pares foram elegendo Neno como Deus e criaram uma série de rotinas em torno desse pensamento. Como tal, uma vez que o ex-guarda-redes completa neste sábado 45 anos, os «Devotos de Neno» juntaram-se à mesa de jantar para celebrar a véspera de Nenatal. A colagem à igreja católica não pretende ser ofensiva, apenas serve de base para um conjunto de iniciativas que já mereceram a aprovação do próprio Neno.

«A ideia começou a desenvolver-se na célebre vitória do Benfica frente ao Sporting por 6-3. As pessoas começaram a dizer que Neno era como um Deus. Fomos desenvolvendo essa ideia e achámos justo fazer-lhe uma homenagem. Em conversas de café, com benfiquistas mas até com adeptos do Sporting, o projecto foi-se espalhando e o primeiro Nenatal realizou-se em 2001», explica Gonçalo Veiga, um dos mentores da iniciativa, ao Maisfutebol.

O milagre das redes

A «fé dos devotos» em Neno cresceu quando o guarda-redes ficou preso nas redes de uma baliza e deslocou apenas o maxilar. «Esse é um momento marcante para a nossa profecia. Neno ficou preso nas redes mas sobreviveu. Foi como um milagre para nós», garante Gonçalo Veiga.

Neno completa o seu 45º aniversário neste sábado, dia 27 de Janeiro. Como tal, motivou o convívio de meia centena dos seus fiéis no Restaurante Famitel (a tal «igreja»), numa noite repleta de actos cerimoniais com o ex-guarda-redes como figura central. Os «Devotos de Neno» já enraizaram rituais como a oração do «Neno Nosso» e a leitura de «passagens bíblicas, os Nenículos.» Os responsáveis da iniciativa adaptaram ainda várias letras do repertório discográfico de Neno.

O antigo guarda-redes reconheceu que esta iniciativa é gratificante. «É uma iniciativa que já se prolonga há alguns anos, mas agora tem assumido maior dimensão e protagonismo. Ligam-me sempre nesta altura, canta música, e é naturalmente gratificante para mim», começou por dizer, acrescentando: «Fiz a promessa de aparecer num desses jantares, porque acho impressionante que pessoas que nem conheço reconheçam o meu trabalho e já se tenham tornado, inclusive, simpatizantes do V. Guimarães.»

Em homenagem ao antigo guarda-redes, os seus «discípulos» acederam ao pedido do Maisfutebol e cantaram em uníssono dois dos temas (ndr. pode ouvir carregando no respectivo link) que ajudaram a animar a noite de sexta-feira. O coro não deve muito à afinação, mas fica o registo de movimento «sui generis» que, numa aura de boa disposição, acaba por ser uma boa prenda de aniversário para o carismático Neno. Aqui fica a letra do «Maxilar na rede»:

«O maxilar na rede o Neno prendeu

E o tiro de Mangonga o Neno defendeu

O maxilar na rede o Neno prendeu

Mas sobreviveu

Ele sai-te aos pés se tu te acanhas

Ele sai dos postes sempre às aranhas

Se disseres mal do Neno e das suas façanhas olha que apanhas»

«Ele prendeu o maxilar na rede, mas em vez de morrer disse: está boa

Ó Neno, Ó Neno, Ó Neno nas alturas

Em coro: Ó Neno nas alturas»