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    Mundial, dia 29: o pódio da Alemanha e a herança de Cruijff (fotos)

    Forlán e Müller brilharam na final dos tristes; agora, falta a verdadeira

    Por Redacção2010-07-11 00:44h
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    E quatro anos depois, a Alemanha voltou a ocupar o último lugar do pódio. Como em 2006, conseguiu-o com três golos na final de consolação diante da sensação da prova. Em Estugarda, foi Portugal. Em Porth Elizabeth, foi o Uruguai a última vítima de uma «Mannschaft» menos convincente do que nos jogos anteriores. Klose não saiu do banco e não pôde fazer História: ficou a um golo do recorde de golos de Ronaldo, que com ou sem alívio à mistura se apressou a felicitar o veterano avançado alemão.

    Mas se Klose faltou à chamada, a final dos tristes voltou a confirmar dois nomes grandes deste Mundial: Forlán voltou a andar com o Uruguai às costas e juntou-se aos melhores marcadores da prova, assinando o quinto golo. O mesmo fez o alemão Müller, revelação das revelações e mais que provável sucessor de Podolski, no prémio de melhor jovem da competição. No geral, por entre um inevitável tom de fim de festa, duas equipas cansadas proporcionaram uma despedida movimentada. E com golos suficientes para garantir, desde já, que o Mundial-2010 não vai ter a pior média de sempre. Seria uma mancha injusta, atendendo à qualidade global da competição.

    Os herdeiros de Cruijff?

    Confronto de estilos ou duelo fratricida? A poucas horas da decisão em Joanesburgo, enquanto a bola não salta, o 29º dia do Mundial-2010 prosseguiu o debate teórico e filosófico. Espanha e Holanda são criaturas com o mesmo ADN (com Johan Cruijff como antepassado comum) ou, pelo contrário, traduzem abordagens distintas à pergunta universal: «qual a melhor maneira de ganhar um jogo de futebol?».

    Do lado espanhol, a resposta tem sido a mesma nos últimos anos: pegar na bola desde o primeiro minuto e nunca mais a dar ao adversário. Do lado holandês, isso também foi verdade, noutros tempos, mas parece uma estratégia bem menos evidente quando se tem como porta-estandarte um acelerador como Robben e um lançador de alta precisão como Sneijder. Claro que Del Bosque e Van Marwijck não estão, por esta altura, preocupados com estas nuances. O importante é levantar a Taça. Mas, sublinham, fazê-lo com a mesma receita de sucesso que os trouxeram até aqui. «Ninguém vai mudar o guião», prometeu o espanhol. «O importante é sermos nós próprios», garantiu o holandês. Nisto, pelo menos, a sintonia de ideias parece total. Mas Cruijff não deixou de meter a colherada: «A Espanha joga melhor», garantiu.

    Xavi, Sneijder ou... Villa?

    Além do nome do oitavo país a ostentar o título de campeão do Mundo, a final deste domingo vai decidir muita outra coisa. Desde logo a liderança do ranking mundial para os próximos meses. Mas também as coroas supremas de melhor jogador do Mundial (e, como toda a probabilidade, do premiado de 2010, em Dezembro) e melhor marcador da competição. Sneijder está nas duas frentes de combate. A Espanha divide-se entre Xavi, para a primeira e Villa, para a segunda. Mas o médio do Barcelona voltou a demonstrar fora dos relvados a lucidez que o distingue lá dentro: «Não há duelo com Sneijder, há duelo entre Espanha e Holanda», lembrou.

    O 29º dia do Mundial também ficou marcado por um susto que não passou disso mesmo: o de Michel Platini, internado de urgência na noite anterior, mas que durante o dia deste sábado foi protagonista de notícias reconfortantes. Nem enfarte, nem crise grave, o antigo número 10 da França e actual presidente da UEFA está pronto para prosseguir a carreira, bem menos consagrada, nos corredores da política do futebol.

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