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    Uruguai-Holanda, 2-3 (crónica)

    E agora «laranja», é para vencer?

    Por Nuno Travassos , enviado-especial à África do Sul2010-07-06 21:31h
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    A «Laranja Mecânica» da década de 70 já tem sucessão à altura. 32 anos depois, a Holanda volta a uma final de um Campeonato do Mundo. Seja Alemanha ou Espanha o adversário, fica desde já a pergunta: desta vez é para ganhar?

    A exibição nesta meia-final não foi de sonho, mas o capitão Giovanni van Bronckhorst já tinha avisado na véspera que nesta fase importa é vencer. E esse objectivo foi alcançado. O Uruguai diz adeus ao título de cabeça erguida, já que fez uma excelente campanha e lutou até ao último minuto.

    O exemplo partiu dos capitães

    Com o Uruguai a entrar no jogo de forma muito expectante, e a Holanda pouco disposta a arriscar, com receio do contra-golpe, os primeiros minutos de jogo acabaram por ser pouco interessantes. Valeu Giovanni van Bronckhorst, aos 18 minutos, a dar um pontapé na monotonia. E que pontapé! O capitão da Holanda rematou cruzado, a 30 metros da baliza, e fez o esférico entrar bem junto ao ângulo.

    Um grande golo, a inaugurar o marcador, mas que fez mal à Holanda. A equipa de Bert van Marwijk empenhou-se menos no domínio de jogo, e permitiu que o Uruguai começasse a aparecer no ataque. Ainda assim o primeiro remate à baliza, por parte dos sul-americanos, só surgiu aos 36 minutos, por intermédio de Alvaro Pereira.

    Com Luís Suarez castigado (tal como Fucile), todas as esperanças uruguaias concentravam-se em Diego Forlán, e o capitão não desiludiu. A quatro minutos do intervalo restabeleceu a igualdade, com um pontapé forte de fora da área, que contou com uma abordagem pouco convicta de Maarten Stekelenburg.

    As estrelas tardaram, mas não falharam

    O segundo tempo começa com o guarda-redes holandês de novo em apuros, mas desta vez sem responsabilidade. Boulahrouz mediu mal um atraso, e a bola acabou nos pés de Alvaro Pereira, que tentou o chapéu. Valeu a experiência de Van Bronckhorst, a adivinhar o lance, para um corte relativamente tranquilo.

    A Holanda ganhou mais uma unidade atacante ao intervalo ¿ Van der Vaart substituiu De Zeeuw ¿ mas ainda assim as principais unidades (leia-se Sneijder e Robben) demoraram a libertar-se da marcação uruguaia. Quando o fizeram, foi para resolver o jogo.

    O médio do Inter nunca virou as costas à luta, mesmo quando faltava espaço, e acabou por ser bafejado pela sorte. Deu vantagem à sua equipa quando estavam cumpridos 70 minutos, com um golo que mistura alguma sorte e também alguma dúvida, relativamente à posição de Van Persie.

    Apenas três minutos depois apareceu a outra estrela, Robben, para sentenciar o encontro. Kuyt cruzou da esquerda, e o camisola 11 laranja concluiu de cabeça.

    Um golo de Maxi Pereira, já em período de descontos, arrastou a indecisão até ao último segundo. O Uruguai lutou até ao fim, e merece aplausos por isso. Os últimos instantes foram de grande nervosismo, e até contemplaram uma antecipada entrada em cena das equipas de televisão. O apito final trouxe alguns segundos de tensão, mas tudo se resolveu sem grande aparato. A Holanda segue para a final, o Uruguai merece todo o crédito.

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