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    Ricardo no Maisfutebol: «Espero que consigamos pô-los no seu lugar»

    Não tem de existir receio, Portugal defende bem e tem criatividade na frente

    Por Redacção , Ricardo, guarda-redes do Bétis2010-06-28 15:38h
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    «Não temos medo da Espanha», disse o Simão, e tem razão. Não temos de ter medo. A selecção espanhola não está tão forte quanto já esteve. Tem de existir, sim, respeito de parte a parte. Quem não souber respeitar o adversário pode ficar pelo caminho.

    Acho que nos primeiros minutos, a menos que surja algum golo, o jogo vai ser um pouco monótono. Portugal vai tentar que os espanhóis não tenham a posse de bola, como tanto gostam. Mas, depois dos primeiros 15 a 20 minutos, as coisas vão começar a acelerar e acredito num grande espectáculo.

    O poderio ofensivo da Espanha é enorme, mas em termos da mecânica defensiva somos muito melhores. Temos também uma força individual muito grande, o que poderá ser uma vantagem.

    Na nossa selecção a qualidade dos jogadores é usada em prol do colectivo. Existem individualidades, que podem sobressair, mas não pode haver individualismo. Estão 11 jogadores em campo.

    A agressividade vai aumentar, no bom sentido. Não se pode entrar com cautelas porque agora é a eliminar. Portugal até pode chegar menos vezes, do que gostaríamos, à baliza contrária. Mas espero que consigamos pô-los no seu lugar, quando lá formos à frente. Temos de mostrar que sempre que chegarmos à sua baliza é para marcar ou criar perigo. Temos, também, de defender bem. Porque, na frente, temos criatividade de sobra.

    Já «avisaram» Cristiano Ronaldo. É como gostam de pressionar, sobretudo os meios de comunicação social. Mas não acredito que os jogadores e o treinador pensem assim. O Cristiano faz a diferença, mas existem outros que também podem fazê-la. Ele tem as costas largas e está habituado a lidar com estas situações.

    Alguns dos nossos jogadores actuam em Espanha, por isso é normal que exista troca de mensagens, telefonemas e algumas brincadeiras. A amizade existe, antes e depois dos jogos, mas durante a partida não existem amizades.

    Amigos, amigos, negócios à parte

    Pode até dar-se o caso de existirem duelos individuais entre colegas de equipa. Mas isso pode não beneficiar qualquer um deles. Ri-me quando o Sergio Ramos disse que conhece as fintas do Cristiano. Nenhum jogador deve entrar por aí. O passado já nos mostrou que este tipo de atitude pode ser um tiro no pé.

    Chegámos ao «mata-mata». Ter de ir a prolongamento ou seguir para as grandes penalidades é uma possibilidade que paira no ar. É normal que o treinador teste os jogadores, para ver quem se sente mais cómodo sob este tipo de pressão - embora a informação retirada seja subjectiva, porque num treino não existe a responsabilidade que há num jogo. Marcar ou defender um penalty não é nada fácil. É preciso ter muito sangue frio.

    Seja em 90 ou 120 minutos, ou mesmo nos penalties, o que importa é que tenhamos humildade e respeito q.b. para vencer e fazer um bom espectáculo. No final, espero que sejamos nós a fazer a festa, claro!

    Erros podem ser «decisivos»

    Ao 17º dia do Mundial, a arbitragem deu que falar... nos dois jogos do dia. Assistimos a erros grosseiros que podem ter mudado o rumo dos acontecimentos. Tanto no golo que não foi validado ao Lampard como no golo irregular do Tevez, não culpo o árbitro, pois não tem acesso a repetições e o auxiliar tem melhor visão.

    Perdem-se sempre dois ou três minutos a discutir um lance quando a solução era simples. Porque não existe um quarto árbitro a ver os lances pelas televisões? Neste caso, grandes competições em que os jogos são a eliminar, sou a favor da utilização das novas tecnologias e do visionamento das imagens, noutros não. Porque poderia existir a descaracterização do futebol. O erro faz parte do jogo.

    Texto escrito por Ricardo, internacional português

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