É preciso recuar muito para encontrar um Boavista tão mau como este, pensado por João Loureiro e executado por Jaime Pacheco.
Actualmente na 11ª posição, a quatro jornadas do fim, só em 1971/72 o Boavista terminou em posição tão baixa. Até pode ser que a coisa ainda melhore, mas o calandário é duro, a começar já pela recepção ao F.C. Porto, na ronda 27.
O principal responsável pelo actual estado de coisas é o presidente. Esta época o Boavista teve quatro treinadores, o que obviamente não dá saúde.
João Loureiro dirige há vários anos um clube em crise económica, segundo ele por causa da remodelação para o Euro 2004. O que a ser assim significa que não pensou o suficiente no assunto antes de avançar.
Apesar de ter passado pela Liga dos Campeões, e ter feito figura na Taça UEFa já no século XXI, e sendo um crónico formador e vendedor, são cíclicas as notícias de dificuldades várias.
Se o presidente é o mesmo que foi campeão em 2000/01, o que terá mudado? Essencialmente o contexto. E os jogadores. Os melhores foram vendidos e mal substituídos, outros, como o emblemático capitão Martelinho, foram simplesmente empurrados porta fora. De uma direcção que não respeita os campeões será legítimo esperar muito?
O episódio deste sábado é só mais um sinal de gestão intrigante. Ficou claro que Jaime Pacheco terá nesta altura escassas possibilidades de continuar no Bessa. Niguém pode dizer que a saída de Jaime Pacheco seja uma má solução. Já sobre o regresso acho que niguém terá (pelo menos hoje) grandes dúvidas. Foi um erro, como estava fácil de ver.
Este período cinzento, lamentável num clube que poderia ter caminhado para uma dimensão nacional forte a seguir ao título de 2000/01, tem pelo menos um efeito agradável: João Loureiro deixou de aparecer nas entrevistas rápidas da Sport TV a seguir aos jogos que corriam mal e aos que corriam muito bem.