O futebol português resgatou do esquecimento um dos seus maiores talentos. No Sp. Braga, Hugo Viana readquiriu o prazer pelo jogo. O resto esteve lá sempre. A certeza no passe - curto ou longo - a leitura sempre correcta da partida, a colocação inteligente no rectângulo do jogo e, claro, o remate mortífero. O remate que abateu a águia, logo aos sete minutos. Uma execução soberba de um jogador que tem tudo para voltar rapidamente à Selecção Mundial.
Mossoró, técnica prodigiosa
Não é forte nem especialmente rápido, mas tem uma técnica prodigiosa. Perfeito
na forma como recebe e entrega a bola, como lê e concebe cada acção. Aos 38 minutos surgiu isolado sobre a esquerda e rematou
às malhas laterais da baliza do Benfica. Logo a seguir, numa tabela genial com Alan conseguiu isolar o brasileiro. Talvez
tenha saído demasiado cedo na partida, embora se perceba a opção de Domingos pela velocidade de Matheus para os últimos 30
minutos. O ano passado teve um rendimento muito intermitente com Jorge Jesus, mas está visto que é, de facto, um dos melhores
valores desta Liga. Faz lembrar Deco na forma como corre e trabalha a bola.
Di María, inspirado e provocador
O melhor do Benfica. Impressionante a forma como consegue ganhar alguns lances aparentemente impossíveis. Remate fantástico
aos 13 minutos, a obrigar Eduardo a uma grande defesa, fricção plena no duelo com João Pereira, iniciativas e mais iniciativas
recheadas de perigo, sempre pela esquerda. A lamentar somente a atitude feia imediatamente antes do intervalo. Provocou o
banco do Sp. Braga e esteve na origem de uma zaragata das grandes.
Moisés, o caça-gigantes
Torre inexpugnável,
mesmo perante a ameaça de gigantes como Luisão e Javi García. Corte providencial aos 23 minutos, sobre um enleante Di María.
Decisivo nesse momento, como haveria de ser noutros. Aos 79, por exemplo, evitou em cima da linha o golo do Benfica. Implacável
no jogo aéreo, essencial na organização e na comunicação de todos os elementos da sua equipa. Aqui está um belo defesa central.
Saviola, que se danem Barcelona e Madrid
Atravessa um grande momento. Mesmo não marcando qualquer golo,
espalhou a preocupação na defesa arsenalista em vários períodos. Recuou bastante no terreno, quis sempre ter a bola e compensou
largamente o bloqueio criativo de Pablo Aimar. Reencontrou no Benfica a confiança que perdera em Barcelona e em Madrid.
Quim,
absolvido
Adiou o segundo golo do Sp. Braga o mais que pôde. Três ou quatro belas intervenções. Sai absolvido desta
derrota.
Paulo César, demoníaco
Domingos preferiu abdicar de Meyong e manter Paulo César em campo. A história
do jogo deu razão ao técnico. Com mais espaço na segunda parte, foi um demónio à solta. Marcou com convicção perene o golo
que sentenciou o destino da partida. Está em grande forma.
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