O Belenenses, que tinha passado por enormes dificuldades para eliminar o Paredes na eliminatória anterior, tomou o antídoto necessário antes da viagem para o Norte do país e soube resistir ao veneno, à natural tentação de baixar os patamares de exigência frente a um adversário menos cotado. O Gondomar, da Liga de Honra, deixou a pele em campo, mas não conseguiu contrariar a clarividência dos azuis do Restelo.
Jorge Jesus apresentou o seu melhor onze e viu Roma marcar no primeiro remate à baliza. A equipa nortenha, que entrara de forma abnegada no encontro, cedo teve de lutar contra uma situação adversa e o melhor que conseguiu fazer foi chegar à igualdade à passagem do quarto-de-hora. Lance de bola parada, com Feliciano a cruzar para a cabeça de Maciel.
O Gondomar apresentou um conjunto coeso, com alguns elementos de qualidade, mas denotou algumas fragilidades defensivas que, contra artistas como Ruben Amorim ou Silas, são fatais. Em dez minutos, o segundo definiu o desfecho do encontro, comprovando que é um dos melhores executantes do futebol português. Pena que tenha adiado a sua afirmação.
Primeiro, Silas fez uma maldade sobre Ricardo André e cruzou para o remate fulgurante de Ruben Amorim. Depois, foi o próprio número dez do Belenenses a concluir uma jogada de insistência, contando com o desvio involuntário de Miguel Oliveira. Em meia-hora, quatro golos simbolizavam uma partida aberta, agradável para os espectadores, onde a diferença de qualidade entre os jogadores acabou por ser determinante.
Três substituições para a réstia de esperança
Cerca de dois mil e quinhentos espectadores rumaram ao Estádio S. Miguel para a festa da Taça, mas a maioria ficou com um amargo de boca no final da primeira parte. Os cânticos da Fúria Azul, claque do Belenenses, destoavam entre o panorama cinzento. O Gondomar, longe de estar conformado com o seu destino, fez questão de provar que só a ordem natural das coisas poderia condicionar a sua ambição.
Nicolau Vaqueiro fez três (!) substituições ao intervalo, esgotando todos os recursos na procura incessante por um resultado positivo. Rui Miguel, avançado que passou por clubes como Boavista ou Paços de Ferreira, juntou-se a Maciel no centro do ataque, com Bragança a furar pela esquerda e Feliciano pela direita. Quatro avançados que acabaram por embater, invariavelmente, na muralha defensiva do Belenenses. Mais atrás, Fernando Aguiar ia emprestando o reputado pulmão à equipa, mas sem efeitos práticos.
A formação de Jorge Jesus limitou-se a gerir o resultado e o esforço ao longo da etapa complementar, cumprida a missão de evitar os sobressaltos do episódio anterior desta caminhada na Taça de Portugal. Os azuis do Restelo perceberam, desta vez, que mais vale resolver para depois descansar que passar toda a tarde atrás do prejuízo, como havia sucedido frente ao Paredes. Perto do final, Eliseu fixou o resultado, com um remate cruzado a passe de Amaral.
FICHA DO JOGO
Estádio de S. Miguel (Gondomar)
Árbitro: Elmano Santos (Funchal)
Assistentes: Sérgio Lacroix e Sérgio Serrão
4ª árbitro: Marco Delgado
GONDOMAR (4x3x3): António Filipe; Robson, Miguel Oliveira, Vítor Fróis e Vladimir (Zé Alberto, 46m); Fernando Aguiar, Luís Miguel (Vladimir, 46m) e Ricardo André; Feliciano, Maciel e Hadson (Rui Miguel, 46m). Suplentes não utilizados: Murta, Rómulo, Fabrício, Canales
Treinador: Nicolau Vaqueiro
BELENENSES (4x3x1x2): Costinha; Amaral, Rolando, Nivaldo (Vasco Faísca, 87m) e Rodrigo Alvim; Mancuso, Rúben Amorim e José Pedro (Fábio Januário, 80m); Silas; Roma (Eliseu, 65m) e Dady.
Suplentes não utilizados: Marco Aurélio, Gaspar, Pinheiro e Gonçalo Brandão
Treinador: Jorge Jesus
Ao intervalo: 1-3
Golos: Roma (9m), Maciel (15m), Ruben Amorim (24m), Silas (34m), Eliseu (90m)
Disciplina: cartão amarelo a Vladimir (28m), Nivaldo (71m), Rui Miguel (84m)
Resultado final: 1-4