Clássico à moda antiga, saudosismo à flor da pele. Leixões e Académica fizeram jus aos pergaminhos que ostentam e deram um espectáculo repleto de emoção e cor, dentro e fora do relvado. Os «estudantes» venceram por 2-1 e seguem para a VI eliminatória da Taça de Portugal, apesar de terem acabado o jogo com menos dois elementos. Um prémio à concentração e coesão estudantil, diante dos «bebés do Mar» de verdadeira barba rija.
Embalados pelo intenso cantar vindo dos cerca de seis mil adeptos que acorreram ao Mar, o Leixões entrou com vontade de marcar bem cedo. Vitor Oliveira manteve o seu 4x3x3 habitual, obrigando a Académica a abdicar dos três defesas-centrais concebidos por Manuel Machado. De forma a silenciar toda e qualquer iniciativa matosinhense, a Académica montou um 4x5x1 bastante dinâmico, com Dame Ndoye completamente solto no ataque.
A receita prescrita por Manuel Machado funcionou na perfeição e, num contra-ataque pleno de veneno, Lino surgiu a cruzar na esquerda para Dame encostar de primeira. Aos 13 minutos, a «briosa» passava para a frente do marcador. Triste foi ver o marcador do golo festejar o tento de forma provocatória para os adeptos da casa. Duarte Gomes mostrou-lhe, de forma justa, o cartão amarelo e, cinco minutos volvidos, haveria de expulsá-lo, após uma entrada duríssima sobre Pedro Cervantes. A Académica passava a jogar com menos um elemento, mercê de uma infantilidade inaceitável de Dame Ndoye. O senegalês esteve no melhor e no pior da sua equipa.
Tanto massacre e só um golo
Ora, quando se adivinhava um assalto infernal do Leixões ao último reduto academista, eis que os «estudantes» aproveitam um erro crasso de Beto e ampliam a vantagem. Miguel Pedro, de cabeça, atirou para a baliza deserta, depois de uma saída em falso do guardião. A partir daqui e até ao intervalo, a perturbação tomou conta dos confusos espíritos leixonenses, que nunca souberam desmontar o puzzle compacto da Académica. Aliás, sempre em contra-ataque, Miguel Pedro e Filipe Teixeira iam dinamitando o sector mais recuado dos adversários.
Só na segunda metade se assistiu, verdadeiramente, à pressão do Leixões. A equipa de Matosinhos massacrou - na verdadeira acepção da palavra - a Académica, mas só aos 59 minutos, numa cabeçada de Elvis, reduziu a diferença. Até ao final do jogo, a partida foi de sentido único, por mais de uma vez os leixonenses tiveram a oportunidade de marcar, mas o coração impôs os seus ditames e a lucidez nunca foi a melhor.
A Académica acabou por aguentar a vantagem, mesmo após a expulsão de Kaká, e segue em frente na prova. A arbitragem de Duarte Gomes foi muito contestada pela Académica, mas nos lances mais polémicos (expulsões) o juiz pareceu decidir bem.
Ficha de jogo:
Jogo no Estádio do Mar, em Matosinhos, com cerca de sete mil espectadores.
Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa), auxiliado por José Lima e Pedro Garcia.
Leixões: Beto; Marco Cadete, Cleuber, Elvis e Ruben (Xavier, 32m); Jorge Duarte, Pedro Cervantes e Hugo Morais; Jorge Gonçalves (Cícero, 73m), Roberto e Nandinho.
Suplentes não utilizados: Marco, Joel, Malafaia, Bruno China e Ricardo Jorge.
Treinador: Vitor Oliveira
Académica: Pedro Roma; Danilo, Litos e Kaká; Miguel Pedro (Sarmento, 90m), Paulo Sérgio, Alexandre, Roberto Brum (Gyano, 58m, Nuno Piloto, 86m) e Lino; Filipe Teixeira e Dame Ndoye.
Suplentes não utilizados: Douglas, Medeiros, Vitor Vinha e Nestor Alvarez.
Treinador: Manuel Machado
Golos: Dame Ndoye (13m), Miguel Pedro (24m) e Elvis (59m).
Acção disciplinar: Cartões amarelos para Dame Ndoye (13m e 18m), Kaká (41m e 84m), Hugo Morais (54m), Elvis (60m), Xavier (80m). Cartão vermelho: Dame Ndoye (18m) e Kaká (84m), ambos por acumulação.