Aconteceu Taça na Maia. A equipa da II Divisão venceu o Aves, do escalão principal (1-0), graças a um golaço de Castro, nos instantes finais da partida, numa altura em que jogava com um homem a menos, por expulsão de João Filipe, aos 72 minutos.
Quem tivesse visto apenas a primeira parte não poderia adivinhar um desfecho surpreendente: depois de uns minutos iniciais equilibrados, o Aves tomou conta das operações e, a pouco a pouco, começou a rondar a baliza de Bruno. O guarda-redes do Maia, muito seguro, foi sempre um obstáculo aos homens de Neca que, bem comandados por Artur Futre, pareciam capazes de abrir o marcador.
Nené, com alguns remates perigosos, foi quem esteve mais perto de resolver o jogo, mas os minutos finais da primeira parte mostraram um Maia um pouco mais equilibrado e capaz de discutir o resultado.
Essa impressão confirmou-se após o intervalo, com a equipa de Carlos Martins a surgir melhor e a conseguir levar o jogo com mais frequência junto da área de Rui Faria, que pela primeira vez foi sujeito a mostrar trabalho. Artur Futre, um dos melhores na primeira parte, saía por limitações físicas e com isso o Aves perdia alguma eficácia ofensiva.
No entanto, quando a equipa dos escalões secundários já parecia acusar alguma quebra, o segundo amarelo mostrado a João Filipe acabou de quebrar-lhe o ímpeto e os minutos finais voltaram a levar o perigo junto à baliza de Bruno. Mesmo controlando as operações, o Aves pareceu sempre algo lento, sem mudar o registo apesar da vantagem numérica. Aos 78 minutos, Neca surpreendeu, tirando um extremo (Leandro) e lançando Filipe Anunciação no meio-campo, uma mexida que nenhuma agressividade acrescentou à sua equipa.
Embora mais perto do golo, o Aves colocava-se à mercê de um golpe do destino, que acabou por chegar nos últimos instantes da partida, com Guedes a fazer um grande trabalho na direita, concluído com um passe atrasado para a área, onde apareceu Castro a fuzilar Rui Faria com um remate indefensável. Um golaço que consumou o espírito de Taça, e que sentenciou um jogo de forma feliz para os visitados (que tiveram mérito na forma como disfarçaram as limitações) e de forma penalizadora para o Aves, que pagou caro o facto de nunca ter apostado a fundo na vitória, talvez acreditando que o golo acabaria por surgir. Surgiu mesmo, mas para o outro lado. E o Maia fez a festa: já está nos oitavos-de-final da Taça.
Ficha do jogo
Estádio prof. Dr. Vieira de Carvalho, na Maia.
Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre)
Auxiliares: Luís Tavares e Paulo Carrilho
MAIA: Bruno; João Filipe, André Oliveira, Spencer, João Aires, Tonanha (Diogo Torres, 76m), Castro, André Maia (Guedes, 87m), Nuno Miguel, Bibi e Quim.
Suplentes: Pedro, Alves, Diogo Torres, Dennis, Guedes, Folgosa e Tonita.
Treinador: Carlos Martins.
DESP. AVES: Rui Faria; Sério Carvalho, William, Anilton Jr., Pedro Geraldo, Vítor Manuel, Mércio, Nené, Artur Futre (Dill, 48 m), Leandro (Filipe Anunciação, 78 m) e Hernâni.
Suplentes: Mota, Bruno Fernandes, Sérgio Nunes, Marcelo, Octávio, Dill e Filipe Anunciação.
Treinador: Neca
Marcador: Castro (90 m)
Disciplina: cartão amarelo a Leandro (10 m); João Filipe (22 m); Mércio (55 m)
Cartão vermelho, por acumulação, a João Filipe (72 m).