Uma questão de dimensão. Foi isso que faltou aos bravos do Paços de Ferreira nesta honesta e razoável estreia europeia. O empate a zero bolas em Alkmaar poderia ter sido outra coisa bem melhor, mas a partir do momento em que os castores perceberam que o AZ não era tão forte como se pensava, faltou comprimento e largura ao futebol da formação de José Mota.
Aliás, só a partir do período em que o técnico português arriscou qualquer coisa, no último quarto da partida, o AZ conseguiu criar lances de verdadeiro perigo. E porquê? A estrutura bem montada por Mota era perfeitamente sustentável se não houvesse qualquer abalo ou alteração na sua essência. Nesse registo, o Paços defendeu com tranquilidade, mas apenas isso. No ataque houve sempre a impressão de insuficiência de meios, excepção feita aos últimos minutos, quando o Paços incomodou muito a baliza à guarda do inseguro Waterman.
Lá está, quando José Mota «esticou a manta», a defesa ficou descoberta e os portugueses passaram por apuros. Valeu-lhes, na circunstância, a pouca inspiração do AZ, que está longe de ser a equipa que disputou, por exemplo, a meia-final da Taça UEFA com o Sporting em 2005. É, isso sim, uma equipa mais experiente, mais matreira, que conseguiu ser quase sempre melhor. Nem que tenha sido no adoçar da auto-estima.
Os falhanços do brasileiro Ari
Num atento olhar para o nosso bloco, são escassas as oportunidades de golo. Assente num 4x4x2, o AZ poderia ter marcado bem cedo por Ari, aos 10 minutos, mas depois pouco mostrou. Louis Van Gaal gosta que as suas equipas troquem bem a bola e utilizem um futebol apoiado, mas nos holandeses viu-se o tal Ari, um brasileiro bom de bola, e Jenner, um médio que sabe bem os terrenos que pisa.
No Paços faltou sempre um médio que soubesse fazer convenientemente a ligação aos rápidos homens da frente. Ricardinho, Edson e Renato Queirós são homens que precisam de espaço e de bolas bem colocadas para que possam fazer algo, e isso raramente sucedeu.
Já depois de mais um falhanço tremendo de Ari, aos 36 minutos, o jogo baixou muito de rimo, tendo somente melhorado nos últimos 15 minutos, período em que ambos os ataques usufruíram de mais espaço. E apesar do assomo de coragem, o Paços nunca conseguiu ter uma verdadeira oportunidade de golo. O melhor foram uns ameaços de Ricardinho (ainda na primeira parte) e de Edson. Foi pouco, mas fica a atitude exemplar dos homens da Mata Real.