O F.C. Porto viu um claro sinal verde para avançar, transposto nas camisolas apelativas do adversário, e carregou no acelerador pela faixa central. Em cinco minutos, as portagens ficaram para trás, com uma simplicidade de processos impressionante. Vitória tranquila (2-0) sobre um Setúbal que perdeu o estatuto invejável na Europa, num final de tarde em que houve mais sombras que luzes entre os sadinos.
Houve, sobretudo, muito Porto. Momento à parte no filme do jogo, a bomba final de Quaresma serviu apenas para acabar com pequenas dúvidas, não só sobre o resultado, mas também sobre a sua capacidade para minimizar as críticas e garantir um espectáculo dentro do espectáculo.
A questão tinha sido resolvida bem antes, sem tempo para aquecer. Lucho González entrou tranquilamente pelo eixo, beneficiando ainda de um par de ressalto, e lançou o compatriota Lisandro quando Robson tentou compensar o erro colectivo. A obra de Lucho foi concluída por Licha, à saída de Eduardo. Caía a resistência.
Lisandro López marcou o seu 10º golo na Liga 2007/08, em dez jogos disputados, em onze jornadas da competição. E o homem ainda diz que não pensa em ser o melhor marcador. O V. Setúbal apresentava-se no Dragão com um registo imaculado no campeonato e na Taça da Liga, mas nem teve tempo para explanar o seu sistema.
Repetiu-se a receita para abater os sadinos
Repetiu-se a receita do F.C. Porto para abater os sadinos. Na época passada, nos dois confrontos, os azuis e brancos decidiram resolver a questão de forma prematura. No Bomfim, foi Lisandro a marcar aos quatro minutos, com Jorginho a repetir a entrada forte na segunda volta, na Invicta. A história, de facto, repete-se.
Os dragões vinham de dois empates consecutivos e sentiam o Benfica nas proximidades. Seguiam-se confrontos importantíssimos com Liverpool e a própria formação encarnada, mas de nada valeria pensar demasiado à frente perante um obstáculo complicado. Jesualdo Ferreira pediu seriedade e manteve o modelo (trocou Stepanov e Fucile por Pedro Emanuel e Cech sem perder coesão defensiva), mesmo com Quaresma em risco de exclusão.
Um adversário encadeado ao longo de largos períodos
O extremo, vindo de dois jogos pela selecção, procurou gerir o esforço e o ímpeto, mas acabou por ser contagiado, e contagiar, pela alegria reinante no futebol portista em determinados momentos. Carlos Carvalhal não conseguiu alargar a sua equipa na etapa inicial, permitindo um ritmo controlado dos locais.
Edinho, arma secreta dos sadinos, entrou para a etapa complementar, mas seria o F.C. Porto e ter nova entrada de rompante. Em cinco minutos, teve um par de oportunidades para dilatar a vantagem, mas os dois argentinos, Licha e Lucho, falharam. Houve mais V. Setúbal daí por diante, uma equipa mais próxima da imagem que tem difundido neste primeiro terço de época, mas ainda assim incapaz de comprometer a liderança em tons de azul, confirmada num momento de magia à Quaresma, ao cair do pano.
Ao minuto 70, Lisandro López ainda reclamou uma grande penalidade após duelo de braços com Robson. Carlos Xistra mandou seguir, merece o benefício da dúvida, mas fica a sensação de carga suficiente para a marcação do castigo máximo. Decisão mais polémica numa exibição inconstante do árbitro.