No regresso a casa depois da goleada sobre o Sporting, o Sp. Braga encostou um dos maiores colossos europeus às cordas e arrancou um ponto que pode ser decisivo.
No final até pode parecer que o colosso era o Sp. Braga, mas é melhor não entrar em equívocos. Do outro lado estava uma equipa recheada de estrelas e internacionais.
Uma equipa ainda que está no sítio errado à hora errada. Este Bayern Munique é equipa de Liga dos Campeões e só por infeliz acaso veio parar à Taça UEFA. Onde se apresenta, claro, como o maior candidato à vitória.
Nada intimidado com estes pergaminhos, o Sp. Braga lutou sempre de peito aberto, soube contornar o natural desânimo pelo golo fortuito que uma desatenção provocou logo no primeiro minuto da segunda parte e criou as melhores oportunidades de golo.
Sobre o final da partida, assumiu ser melhor, empurrou os alemães para um lugar vulgar e apertou forte à procura do segundo golo. O Baeyern só queria que o jogo acabasse.
Uma entrada forte que galvanizou toda a gente
Ao contrário do que Manuel Machado dissera, o Sp. Braga nunca se encolheu, nunca foi uma equipa de contenção. Entrou no jogo a mandar e criou a primeira oportunidade de golo, num cabeceamento de Vandinho que assustou Oliver Kahn.
O Bayern respondeu aos dez minutos também numa excelente ocasião, num desvio de Klose que saiu pouco ao lado. A partir daí moralizou-se, mas foi coisa pouca.
O Sp. Braga voltou logo a seguir para a frente e marcou mesmo, por Linz. Um golo anulado por falta de Wender. Mal anulado, parece. Não se percebe onde esteve a falta do brasileiro.
O árbitro foi aliás uma das figuras do encontro. Sobre o final da primeira parte, um toque de Linz em Kahn provocou a fúria do guarda-redes alemão. Que de repente vai atrás do austríaco e lhe dá duas peitadas. Agressão, obviamente.
Mesmo que não fosse grande penalidade, porque o jogo reatou com um livre favorável ao Bayern, o que significa que já estava parado, era óbvio que Kahn devia ter sido expulso. Numa atitude salomónica, mas pouco, o árbitro deu amarelo aos dois atletas.
Mais e melhores oportunidades
No resto do jogo que ficara para trás, o Sp. Braga ficou perto do golo num desvio de Linz a um metro da baliza que saiu ao lado e dois remates de Wender que obrigou Kahn a duas excelentes defesas. O Bayern só assustou Paulo Santos num desvio de Lúcio.
Acabou assim a primeira parte e avançou-se para a segunda. Esperava-se então que o Sp. Braga apertasse a pressão, mas uma desatenção fatal logo no primeiro minuto permitiu a Klose desviar com sucesso um cruzamento de Luca Toni.
Os bracarenses não se deixaram derrubar pelo balde de água fria, saíram para o ataque, ameaçaram num cabeceamento de Stélvio Cruz e num pontapé acrobático de Linz e marcaram mesmo num excelente movimento de Linz sobre Demichelis.
Faltavam vinte e cinco minutos para o fim e pensava-se que o Sp. Braga tinha tudo para partir à procura da vitória. O que, de facto, foi um pouco verdade. Até que Manuel Machado tirou Wender para meter Madrid e devolver à equipa o equilíbrio que tinha tirado quando meteu Jaílson e João Pinto no lugar de Stélvio e Vandinho.
Mesmo assim, Jaílson ainda obrigou Kahn a defesa segura e o Sp. Braga carregou sempre sobre a defesa adversária. Não deu para a vitória, mas o empate deixa tudo em aberto. Até porque seguem-se Aris Salónica fora e Estrela Vermelha em casa.