Apesar de muito jovem, Nelson Évora já deixou uma marca forte no atletismo internacional. O novo campeão olímpico de triplo salto nasceu na Costa do Marfim, filho de pais cabo-verdianos, mas escolheu a bandeira portuguesa como sua. Aos 24 anos de idade, completados a 20 de Abril, confirmou em Pequim o título de rei do planeta na especialidade. Os Jogos de Pequim vêm coroar uma carreira construída de forma crescente e equilibrada. Nelson Évora começou no atletismo logo nas disciplinas técnicas: salto em comprimento e triplo salto. Em Portugal, representou o Benfica e passou uma temporada no F.C. Porto, mas acabou por regressar ao clube do coração.
O saltador português diz levar uma vida pacata, em conformidade com as suas necessidades enquanto atleta de alto rendimento. Entrou em 2007 para a universidade, onde frequenta o curso de marketing e publicidade, tendo recusado vários convites de universidades americanas para rumar aos Estados Unidos, optando por prosseguir em Portugal uma carreira desportiva que, depois desta consagração, anuncia ainda mais sucessos futuros.
É impossível não lembrar os primeiros momentos de atletismo de Nelson Évora, caracterizados por uma humildade notável. O atleta que nunca escondeu, no entanto, o veia de campeão que agora o leva ao lugar mais alto do pódio olímpico. Pela sua personalidade, o saltador sempre conquistou os colegas da modalidade fora e dentro das pistas e agora deixa rendido o mundo.
Na primeira vez que vestiu a camisola de Portugal, o saltador arrancou o primeiro lugar, no salto em comprimento, em 2001, no Festival Olímpico da Juventude Europeia. Nelson Évora tinha somente 17 anos.
Em 2003, Nelson Évora venceu o Europeu de Juniores, em salto em comprimento e triplo salto, na Finlândia. O pupilo de João Ganço não ficou por aqui e no Campoenato do Mundo de Pista Coberta, em Moscovo, situou-se entre os melhores saltadores do mundo, ao ser sexto classificado.
Com a conquista da medalha de ouro em Pequim, Nélson Évora chega ao ponto mais alto da sua carreira, superando ainda as emoções desencadeadas pelo seu título mundial em Osaka, em 2007, onde superou as legítimas expectativas que o seu 9º lugar no ranking mundial, à partida para os Campeonatos, já suscitava. Com 17,74 fixou então um recorde nacional de altíssimo nível. Desta vez, 17,67 m, melhor marca de 2008, foram suficientes para a glória.