Luiz Felipe Scolari regressou ao tema que mais o aborreceu durante os seis anos que viveu em Portugal: Vítor Baía. O antigo selecionador voltou a falar da exclusão do então guarda-redes do F.C. Porto, essencialmente para revelar que a ideia de não o convocar lhe foi feita por... Pinto da Costa.
O treinador brasileiro recordou até uma zanga que Baía teve com os dirigentes do F.C. Porto, numa altura em que discutiu com José Mourinho num treino à porta fechada. Aconteceu em Setembro de 2002, cerca de seis meses antes de Scolari chegar. Vítor Baía ficou até de fora do jogo no Bessa.
«Disseram-me que o Vítor Baía não estava mais nos planos do F.C. Porto, não jogaria mais, estava em conflito com o seu treinador e com a direção», garantiu o brasileiro à RTP. «Foi o presidente do F.C. Porto que me disse isto. A partir daí passei a olhar com outros olhos para o Vítor Baía.»
«Depois fiz as mesmas perguntas Às pessoas que trabalhavam na seleção há alguns anos e que tinham estado em todos os jogos anteriores à minha chegada. Ouvi umas histórias sobre o balneário, sobre comando, sobre liderança e tal, e a partir daí decidi que não iria convocá-lo nunca mais.»
O antigo selecionador nacional cometeu pelo meio um erro que compromete toda a teoria: Scolari disse que em Janeiro de 2003 foi ver um jogo entre o F.C. Porto e o Belenenses e que o guardião foi Nuno Espírito Santos. É falso. O guarda-redes desse jogo foi Vítor Baía e o F.C. Porto venceu por 3-1.
Scolari aproveitou para sublinhar que Pinto da Costa influenciava as escolhas da seleção nacional. «A zanga com o F.C. Porto? Não adiantava esclarecer. Era uma briga que eu estava a ter com um dos maiores dirigentes e uma pessoa que influenciava a seleção: o presidente do F.C. Porto», disse.
«Ele tinha influência nas escolhas da seleção. Toda a gente sabe que tinha. Ele pode opinar sobre um ou outro jogador, ele pode numa conversa muito interessante com o presidente da Federação sugerir a ideia de jogar aqui ou jogar lá. Senti muita destas influências e por isso tive esta rixa.»
Curiosamente, atira o atual treinador do Palmeiras, o ambiente ficou muito mais leve desde que ele saiu da seleção nacinal. «Foi uma rixa que acabou a partir do momento em que saí da seleção. A partir daí passei a ter relação com o presidente do F.C. Porto e já conversei com ele muitas vezes.»