1.treinador do Benfica ainda não percebeu isso

2. Jesus voltou a usar o desenho táctico de Atenas. Sentiu-se confortável? Foi para equilibrar a luta no meio campo? Não sei se o recuo inicial do Benfica foi estratégico ou se foi o Sporting que obrigou a isso, mas o Benfica sentiu-se cómodo. A verdade é que com Ruben Amorim este novo desenho ganha consistência, capacidade de pressão e intensidade e até ao momento um acréscimo de qualidade. Os golos deram-lhe tranquilidade e o controlo do jogo, mas a boa reacção do Sporting criou problemas.

3. O Sporting apresentou-se com identidade e foi fiel aos princípios que defende. A boa entrada em jogo, pressionante e a jogar no meio campo ofensivo prova isso mesmo. Mas o que retiro desta equipa foi a capacidade para reagir. Após o intervalo e uma desvantagem de dois golos, voltou ao jogo e sempre como equipa. Soube aproveitar as que são nesta altura as fragilidades do Benfica e durou até ao fim. Apesar da derrota, a equipa cresce e são este tipo de jogos que dão experiência e maturidade para outros confrontos.

4. Cardozo foi o homem do jogo. Hat-trick num derby coloca-o nesse patamar. Muito se fala de Cardozo, na relação que tem com os adeptos, mas ele faz golos. É um finalizador e voltou a decidir neste jogo. Não se movimenta muito, pouco entra no processo ofensivo da equipa, mas quando a bola aparece na área normalmente marca. Neste jogo tocou poucas as vezes na bola e foi tremendamente eficaz. De bola parada, de primeira numa boa jogada colectiva e na pequena área a cabecear com classe. Três momentos que lançam Cardozo para a história dos derbies.

5. Foram onze os portugueses que estiveram no derby. Muito bom olhando para o passado recente. Destaque para a vontade, alegria e dinâmica de Ivan Cavaleiro a mostrar a Jesus que tem de contar com ele. Os 30 minutos de André Gomes foram curtos. Tem qualidade para mais e é bom ver a personalidade e confiança que possui. Do lado do Sporting a juventude impera e tem sido normal. Adrien mais presente e activo e o Sporting melhorou. Gostei da irreverência de Carlos Mané. Sem medo, com velocidade e coragem a merecer outras oportunidades.

6. Rui Patrício errou. Com este lance já ninguém se lembra das boas defesas que fez. Nem da forma como fez a leitura certa do jogo que está a decorrer à sua frente. Seja através de uma saída fora da área ou a um cruzamento. Patrício fez tudo isso mas na sua posição não há ninguém para colmatar o erro. Para a história fica o golo que sofreu e não o bom comportamento geral. É a vida solitária do guarda-redes e o Rui sabe disso. É forte e tem capacidade para ultrapassar este momento.

7. William Carvalho continua a trajectória segura. Sereno, com personalidade marca o ritmo da equipa. Teremos surpresa no jogo com a Suécia?

8. Montero não marcou mas é um jogador de qualidade. Inteligente, sabe o que faz e os terrenos que pisa. A entrada de Slimani fê-lo baixar no terreno. Pode ser uma opção não só para o decorrer do jogo. O jogo da equipa passa a ser diferente mas ganha qualidade e mais presença na área.

9. O jogo também se fez nos bancos. E aí gostei dos treinadores. Diferentes, é certo, mas cada um com boa postura nas substituições. De certeza que Jardim mexeu com os jogadores no intervalo e foi colocando as fichas à medida do jogo. Foram acertadas e tiveram efeito prático. Foi ao limite e o erro deitou tudo a perder. Jesus, por outro lado, teve desde cedo o resultado do seu lado e foi gerindo o tempo e a equipa. Ter Lima para entrar no prolongamento fê-lo voltar ao figurino habitual de dois avançados e acabou por resultar.

10. As bolas paradas, por muito que Jesus não o admita, estão a ser um problema. A equipa tem revelado pouca concentração, posicionamento deficiente e passividade no momento de atacar a bola e os resultados estão à vista. É urgente reconhecer e atacar o problema porque a sensação que existe é que qualquer bola na área é um momento de aflição.