Angelique Kerber tornou-se neste sábado a sétima mais velha jogadora de sempre na Era Open a ganhar um torneio do Grand Slam pela primeira quando ganhou a final do Open da Austrália 2016 com 28 anos. A tenista alemã fê-lo contra (quase) todas as expectativas vencendo na final a super-favorita Serena William.

A norte-americana, a nº1 do ranking mundial feminino, tinha (quase) tudo a seu favor para conseguir igualar o recorde de «majors» ganhos, que continuou intocado nas mãos de Steffi Graf: a alemã tem o registo ainda inigualável de 22 títulos grand slam. Esse sonho de Serena ficou adiado pela concretização do sonho de outra germânica.
 


Angie Kerber acordou cedo para o ténis. Mas acordar cedo não significa para a alemã de ascendência polaca levantar-se igualmente também sempre cedo. A dedicação ao ténis começou logo a partir dos 3 anos e a profissionalização chegou também cedo: aos 15, idade com que venceu o primeiro torneio júnior.

A primeira vitória num grand slam aconteceu aos 28 anos (e 12 dias) sendo Kerber a sétima mais velha de sempre na Era Open a colocar o primeiro «major» no palmarés – depois de Flavia Pennetta (33 anos), Francesca Schiavonne, Jana Novotna, Kerry Melville e Na Li (29) e Marion Bartoli (28 anos e 277 dias).

Em jeito de contraste com os intervalos na carreira de Kerber, Serena William ganhou o seu primeiro grand slam há 17 anos, com metade da idade que tem atualmente. A alemã começou cedo, mas deixa várias vezes a bola passar por si. Mas há outras em que, quando lhe acerta, bate com (muita) força. Como aconteceu neste fim semana.

Angie Kerber foi fazendo a sua ascensão no circuito estreando-se aos 19 anos nos grand slam. E foi aos 23 mostrou-se que se mostrou ao mais alto nível quando, fazendo suceder à estreia nuns quartos de final de um «major» a presença nas meias-finais do US Open (em 2011).

A alemã tem esta tendência para fazer muito de uma vez quando as faz. Neste fim de semana, a primeira final de um grande slam deu-lhe logo o primeiro título. Até chegar aqui, Kerber foi do seu ponto mais alto do ranking em 2012 até agora – nº5 do mundo, no ano que em venceu Serena pela única vez até agora (com quatro derrotas no confronto direto) – até sair do top tem em 2015.

Mas foi também no ano passado que voltou a mostrar-se ganhando quatro dos seus atuais oito títulos WTA. Esse regresso em força da tenista consumou-se com o triunfo na Austrália (onde chegou como nº6 do mundo) e o anunciado nº2 do ranking mundial.
 


A tenista nascida em Bremen que mantém a mãe, Beata, como treinadora, a par de Torben Beltz, mostrou em Melbourne que a sua melhor arma está ao melhor nível. Quando é combativa, Kerber é um osso duríssimo de roer. E que o diga Serena, que sofreu no marcador as tremendas respostas que tornam a alemã temível quando bate a esquerda versátil entre a força e o amorti.

A norte-americana foi a primeira a reconhecer a justiça da vitória e a congratular esta alemã que vive no país dos antepassados polacos. E é também na Polónia que já gere a Academia de Ténis Angelique Kerber. Aos 28 anos, Angie Kerber já está no circuito há tempo bastante para que o reconhecimento lhe seja prestado pela vitória que significa também muito do que ela é.
 


A final masculina terminou com a lógica na continuidade de um super-Novak Djokovic que vem do seu melhor ano em 2015 que chegou ao 11º grand slam da carreira. Com (curiosamente) os mesmos 28 anos de Kerber, já se aponta o sérvio aos 14 títulos em «majors» que tem Rafael Nadal; a perspetiva até concretizável até final do ano o que significaria fazer o Grand Slam que só Rod Laver conseguiu na Era Open. Mas, indo por partes, o principal objetivo de Djokovic será o curto prazo e o triunfo pela primeira vez em Roland Garros. Se essa vitória é essencial para o longo prazo, consegui-la dará ao sérvio o que ainda não tem em relação a Roger Federer ou Nadal. E ao falar no suíço e no que falta no palmarés, 2016 também terá um título olímpico de singulares em disputa – que é detido por Andy Murray, o finalista vencido deste domingo na Austrália.