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«4x4x3»: o dragão parece estar com outra cara

Fala-se de Janko e Danilo, mas sobretudo de Lucho, está claro.

Nuno TravassosPor Nuno Travassos2012-02-07 10:31h
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Foi com uma noite praticamente perfeita, frente ao V. Setúbal, que o F.C. Porto mostrou que vai atacar a parte final da época com outra cara. Em Janeiro se corrigiram erros do Verão, com um ataque rigoroso ao mercado, para que os «dragões» apresentem agora um «onze» bem mais sólido. Os golos de Janko e Lucho não são sorte de principiante, reflectem sinais positivos para Vítor Pereira alicerçar.

O principal responsável por esta nova alma é Lucho, claro. O argentino vale não só por aquilo que joga (e não é pouco), mas também pelo que representa. Fiel à sua alcunha, o médio recuperado ao Marselha é o comandante (com ou sem aspas) que vinha faltando em muitas ocasiões.

E Lucho não precisa de braçadeira para ser líder, muito menos do número 8 nas costas. A sua postura, dentro e fora do campo, trata disso. Poucas vezes o «nome» de um jogador fez tanto sentido, ainda que escrito de outra forma. Noventa minutos bastaram para recordar aquela espantosa capacidade para fazer de médio interior e de «playmaker» ao mesmo tempo. A inteligência para pegar no jogo sem precisar de recuar em demasia, e depois aparecer de «fininho» na área. Uma combinação de qualidades que une a equipa também dentro de campo, contrastando com meses de distância entre sectores.

Marc Janko é o reforço de Inverno com a herança mais pesada, por causa do fantasma Falcao, que andou a assombrar Kléber e Walter. Faz sentido a comparação a Óscar Cardozo e a definição como um jogador de «preto ou branco». Acredito que na relação com os adeptos portistas não existirá meio-termo, tal como não existe na Luz, com o paraguaio. Uma parte do estádio vai contentar-se com os golos, a outra vai pedir uma nota artística que o austríaco poucas vezes atinge.

Não lhe peçam muitas tabelas a meio-campo, nem «sprints» ou fintas. O antigo jogador do Twente destaca-se na área, sem pedir licença a ninguém para rematar, com tudo o que de bom e de mau isso acarreta. Tem o mérito de indicar ao colega onde deve meter a bola, e não ficar à espera da mesma (aspecto que Kléber precisa melhorar). Mas pese embora esta iniciativa própria, Janko é um avançado que depende muito daquilo que o colectivo lhe dá. Se a equipa não se adaptar um pouco às suas características, parecerá um corpo estranho.

O outro reforço de Inverno que pode dar nova chama a este F.C. Porto é Danilo, um jogador ainda com muito por lapidar. Precisa de adaptar-se à realidade europeia, mas conseguirá isso com relativa rapidez, se continuar a jogar. É certo que arrisca em demasia, nesta fase, mas quem está a cinco pontos do líder não precisará mais disso do que a regularidade de Maicon?

Com estes três reforços (e com o regresso de Hulk) a equipa de Vítor Pereira tem tudo para ser mais sólida. O problema não está tanto no que aí vem, mas antes no que já lá vai. É que o Benfica também não parece muito disponível para escorregadelas, pelo que o clássico da Luz pode ser fulcral.

P.S. (para seguir): o IFK negociou recentemente Niklas Bärkroth com o Benfica, mas no plantel ficou com um jovem tão ou mais promissor. Robin Söder estreou-se na equipa principal do clube de Gotemburgo aos 17 anos, idade com que chegou à selecção sub-21 da Suécia. No Europeu da categoria disputado em 2009 sofreu uma lesão grave que lhe condicionou a evolução. Desde então que tem sentido dificuldades para atingir as expectativas que criou. Se conseguir recuperar a condição física ideal e a confiança perdida, pode tornar-se um caso sério, justificando o interesse de clubes como o Milan ou o Aston Villa. É um avançado rápido, com uma capacidade técnica muito acima da média sueca (ou escandinava).

«4x4x3» é um espaço de análise técnico-táctica do jornalista Nuno Travassos. Siga-o no Twitter.

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