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Opinião: agora não, que vai jogar o Benfica

«Box-to-box»

Sérgio PereiraPor Sérgio Pereira2009-12-18 00:15h
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Em semana de clássico, apetece-me fazer uma pergunta. Ora com sua licença, aqui vai: Benfica-F.C. Porto ou Sporting-Benfica? Qual prefere afinal o leitor?

A discussão em torno do maior jogo do futebol português não é de hoje. Já leva uns anos. No meu caso leva uns cinco ou seis anos.

Lembro-me que fiz na altura uma reportagem a perguntar se havia outro jogo como um Benfica-F.C. Porto. A resposta que recebi é que sim: estava ali mesmo ao lado.

Eu defendia que não, claro. Achava que o clássico era o maior jogo do futebol nacional. Passados estes anos, admito, mudei de opinião. Acho que é um direito que me assiste.

Basicamente o Benfica-F.C. Porto alimenta-se de fora. O Sporting-Benfica alimenta-se de dentro. É um jogo que vive o futebol mais à flor da pele. E isso basta-me.

Mas passo a explicar. O Benfica-F.C. Porto alimenta-se na imprensa, na hegemonia azul e branca, na rivalidade entre o maior clube português e o mais vencedor. Também por incluir o crónico líder, adquire mais importância no contexto do campeonato.

O Sporting-Benfica é diferente. Geralmente vale menos para as contas do título. Não é tão importante nesse sentido. Aliás, cada ano que passa vale menos nesse sentido. Mas tem a mesma rivalidade e costuma dar jogos bem mais emocionantes.

Lembro-me que nos últimos dez anos já houve jogos que terminaram 5-3, 3-3, 3-2, mais alguns 3-1 e outros quantos 3-0. Em dez anos e 22 jogos marcaram-se 60 golos: o que dá uma média bem interessante de 2,7 golos por jogo.

No caso do Benfica-F.C. Porto apenas por duas vezes uma equipa atingiu os três golos. Marcaram-se 42 golos em 20 jogos, uma média de 2,1 golos por jogo. Mais do que isso, porém, há vários derbies que nos saltam à memória.

Porquê? Porque o Sporting-Benfica é mais libertino, mais furioso, mais violento. É menos calculista. Menos reservado e menos frio. Alimenta-se num arrufo de vizinhos, descalça os chinelos e parte para a gritaria. É um desatino, portanto.

No fundo são ambos grandes jogos que começam à porta da história. O mais pequeno detalhe pode fazê-los entrar. O derby, porém, parece vir numa correria desenfreada. É mais futebol em estado puro. Alimenta-se de dentro, lá está. E isso basta-me.

«Box-to-box» é um espaço de opinião da autoria de Sérgio Pereira, jornalista do Maisfutebol, que escreve aqui regularmente

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