«4x4x3» é um espaço de análise técnico-tática do jornalista Nuno Travassos. Siga-o no Twitter.         

Escolhido novamente para fazer de Jonas, e logo para um regresso sentimental a Braga, Rafa Silva voltou a ficar aquém das expectativas que o próprio alimenta sempre que entra em campo.

Os adeptos benfiquistas saltam da cadeira a cada arrancada, os rostos adversários fecham-se na necessidade de o travar o quanto antes. A fruta é muita mas o sumo tem sido pouco, se tivermos o potencial numa mão e o chapéu ao Tondela na outra.

O papel de segundo avançado parece “amarrar” Rafa, ainda que os jogos com Dortmund e Sp. Braga antecipassem mais espaço para as transições. Se no encontro europeu o Benfica nunca conseguiu contornar a pressão alemã, e por isso Rafa nunca entrou no jogo, no regresso ao Minho foi por fora que o vimos sobressair.

Só que na maior parte dos jogos o Benfica precisa de um segundo avançado que desequilibre em pouco espaço e que marque em poucos remates, e não tanto assim de um jogador que explore a profundidade e apareça nas alas. Jonas é Jonas, Rafa é Rafa. Entrar em comparações é injusto, olhar para as diferenças é natural.

As memórias do Sp. Braga de Paulo Fonseca também remetem Rafa para a ala. A sair da esquerda para o meio, mais virado para o jogo, mais virado para a baliza. Mas já aí olhar para a posição de Rafa era olhar para o acessório e não para o essencial.

Então como agora, a questão em torno de Rafa não é o ponto de partida. É o fim. A finalização, mas acima de tudo a definição. A execução, mas acima de tudo a decisão. Aos 23 anos vai muito a tempo de conseguir domar esta ansiosa relação entre mente e pernas. Quando/se o fizer, arrancará para outro patamar.