Paulo Sérgio e José Mota são velhos conhecidos, jogaram juntos no Paços, para além de o primeiro ser sucessor do segundo no clube. Por isso, não havia segredos antes do encontro, e não houve surpresas naquilo que as equipas apresentaram como desenho no relvado. Ainda assim, foram os da casa a ter maior iniciativa nos minutos iniciais, com Beto a errar primeiro e depois a salvar o golo, com uma intervenção espantosa.

Depois, lá está, o jogo ficou insosso. Até aos 20 minutos nada de interessante a registar, com as equipas a valerem-se dos cantos para causar perigo. Pouco, diga-se. Até que, entrada a partida na meia-hora, começo a haver uns bons salpicos de futebol. Ferreira permitia nova boa defesa a Beto; Braga desperdiçava na cara de Cássio, Cristiano atirava de pé direito ao lado.

Não foi preciso esperar muito para novas emoções. Chumbinho rematou ao ferro, na resposta Cristiano atirou por cima. Agora que se jogava ora numa área, ora noutra, o golo apareceu do céu: após livre de Ferreira e duas intervenções de cabeça, André Pinto fez uma bicicleta espectacular e dava vantagem aos da casa, mais necessitados na luta pela manutenção, objectivo que o Leixões há muito alcançou.

José Mota tem muito que pensar

A segunda parte foi fotocópia da primeira, ou melhor, foi impressão dos jogos na Mata Real: bola a rondar as áreas e entrega total dos intervenientes. Aliás, esse foi um estilo implementado por José Mota nos pacenses e que o técnico tão bem aplicou nos matosinhenses.

Assim sendo, o golo podia aparecer para qualquer das partes. No entanto, os efeitos seriam, obviamente, diferentes: se o Paços marcasse, era quase certo que a vitória não fugiria. Foi isso que sucedeu, quando um calcanhar de Ricardo bateu Beto.

Talvez os pacenses tenham colocado mais vezes o Leixões perto da área de Beto do que o contrário e, por isso, o resultado aceitava-se. José Mota fez alteração imediata, mas teve de render-se à evidência: o amigo Paulo Sérgio ia levar a melhor. E se dúvidas houvessem, um penalty de Pedrinha desfê-las todas, ao pôr o marcador nuns inalcançáveis 3-0. Ironicamente, acontecia o que era regular com José Mota no banco da Mata Real: o P. Ferreira vencia.

O encontro tinha sal que chegasse e, depois de um golo de bicicleta, um de calcanhar e outro de penalty, terminava ao som de «olés», o que era castigo pesado (pesadíssimo quando Carlos Carneiro fez o 4-0) para o treinador visitante. Mas mais do que perder um jogo «especial», José Mota tem ainda muito que trabalhar para não deixar que a equipa venha por aí abaixo na tabela. Sofreu qautro golos depois de outros tantos encaixados com o F.C. Porto e não há outro modo de lhe chamar: o Leixões está em crise de resultados. Já o Paços deu mesmo um passo importantíssimo rumo à manutenção.