O ardor já não é adolescente, mas os resquícios de lascívia são perfeitamente identificáveis. Aos 33 anos, Pablo Aimar ainda deseja fazer golos e passes de morte. Ainda se sente futebolista. O regresso aos relvados não tem data marcada, mas o ex-jogador do Benfica prepara-se para ele no conforto familiar de Rio Cuarto. Tudo para ler nesta entrevista exclusiva ao Maisfutebol.



Passaram 17 anos desde a sua estreia nos seniores do River Plate. Ainda lhe falta fazer alguma coisa como futebolista?

«Sim, tenho muitas coisas pendentes, coisas por fazer. Não posso viver a pensar no que não fiz e onde falhei. Não. Considero ser importante pensar todos os dias no muito de bom que vivi e conquistei no futebol. É uma forma de me motivar para novos objetivos. Ainda quero conquistar qualquer coisa».



As memórias dessa estreia pelo River, em agosto de 1996, estão vivas em si?

«Lembro-me de tudo, de cada detalhe [11/08/96, derrota por 1-0 frente ao Colón]. [Marcelo] Salas e [Enzo] Francescoli jogavam nessa equipa. Não sou uma pessoa nostálgica, mas é bom recordar. Prefiro desfrutar o dia a dia, o presente. No fundo, é só isso que temos. Claro que é fantástico reencontrar velhos companheiros de luta e recordar momentos passados, mas não sou especialmente saudosista».



O desejo de marcar golos e fazer assistências ainda pulsa dentro de si?

«Sim, muito, muitíssimo. Mas para poder fazer isso é preciso estar a um bom nível físico e o último ano no Benfica custou-me muito. Acabou a época e fiquei com dúvidas. Questionei-me se teria capacidade para voltar a jogar a um bom nível. É por isso que tenho adiado uma decisão sobre a minha vida profissional. Estou a treinar com intensidade em Rio Cuarto e só farei uma opção quando estiver bem. Não quero defraudar ninguém».



Gosta de ver jogos de futebol na televisão ou ocupa o tempo livre de outra maneira?

«Gosto, agora sim. Há alguns anos não gostava, confesso (risos). Nos últimos tempos tenho visto e falo bastante com os meus amigos sobre futebol. Muitos deles agora são treinadores. Estamos todos viejos».



Como tem sido a sua vida desde que saiu do Benfica. O que tem andado a fazer?

«Está a ser fantástico. Estou em Rio Cuarto com a minha família, a aproveitar cada minuto. Aqui é inverno, mas hoje estão 30 graus. Estou a treinar por minha conta e a perceber o que tenho vontade de fazer a seguir (risos)».