Segue abaixo o registo de cada um deles:

William

Total de passes: 34 (26 passes certos, sendo 17 passes laterais e para trás e 8 passes errados)

Faltas sofridas: 1

Faltas cometidas: 3 (todas na 2ª parte)

Cortes e recuperações de bola: 10 (7 na 2ª parte)

Danilo

Total de passes: 34 (23 passes certos, sendo 10 passes laterais e para trás e 11 passes errados)

Faltas sofridas: 2

Faltas cometidas: 0

Cortes e recuperações de bola: 11 (6 na 1ª parte e 5 na segunda)

O que se percebe destes dados é que os jogadores, que ocupam a mesma posição no campo, foram muito iguais na maioria das acções que têm no jogo.

William teve 76% de eficácia nos passes, contra 67% de Danilo. Mais seguro, menos risco foram as características de William no jogo. Metade dos seus passes foram laterais e para trás privilegiando a segurança e a manutenção da posse de bola. Danilo, apesar de também jogar com segurança, arriscou mais no passe, sendo mais vertical e procurando profundidade e os números de passes errados subiram.

Nas recuperações de bola, mais uma vez muito iguais. William, com 10, esteve mais interventivo na segunda parte, melhor período do Marítimo, com 6 cortes e uma recuperação de bola. Danilo fez 11, com 3 recuperações e 3 cortes na primeira parte do jogo.

O papel de cada um deles fez-se notar mais quando o adversário esteve por cima no jogo.

Uma curiosidade tem a ver com as faltas cometidas e sofridas. Para jogadores desta posição a ideia que se tem é que é necessário recorrer mais vezes à falta e com isso travar jogadas de perigo ou lances individuais. A verdade é que William fez apenas 3 faltas e todas elas na 2ª º parte, em que esteve sujeito a mais trabalho e o Maritimo por cima no jogo. Por uma vez sofreu falta e também na 2ª parte. Em relação a Danilo, sofreu 2 faltas e não cometeu nenhuma durante todo o jogo. Surpreendente este número, acredito eu para a maioria das pessoas.

Porque razão isto aconteceu ?

Uma coisa é certa. Apesar de serem fortes fisicamente, não foram jogadores de grande contacto (excepção do jogo aéreo), privilegiando o bom posicionamento no campo e uma acção mais preventiva e de cobertura dos colegas. Pelo menos neste jogo foi isso que se passou e no caso de William (que vejo mais vezes os jogos) é o normal.

Uma das coisas que reparei é que o inicio de construção (pelo menos neste jogo) da equipa poucas vezes começou por eles. Eles são o ponto de equilíbrio.

A bola começa pelos centrais e laterais e passa a linha deles, procurando os outros medios interiores ou alas. Este foi o jogo do Sporting, com João Mário e Adrien a pegarem mais vezes no jogo e os laterais a procurarem o envolvimento pelos corredores. No Marítimo, o pensamento é menos de posse e mais rapidez e profundidade. Os seus jogadores sabem o que têm de fazer e demonstraram-no e com personalidade. Danilo também faz uso disso para uma passagem mais rápida e com profundidade, daí o risco e o numero de passes errados, perfeitamente enquadrado.

E remataram à baliza? Criaram algum lance de perigo ?

Não. Nenhum jogador fez um remate à baliza. Estiveram sempre distantes de zonas de finalização, excepção feita aos lances de bola parada e aí também não tiveram qualquer intervenção digna de registo.

São claramente jogadores de equilíbrio, procurando com o posicionamento e uma boa leitura do jogo, resolverem e anteciparem os problemas e ajudarem a equipa. Não são jogadores de quem se espere desequilíbrios mas sim segurança e que procurem ter a equipa sempre ligada. O trabalho e as suas tarefas estão bem definidas e sendo bem feito, a equipa ganha claramente com isso.