Data de nascimento: 23/10/1940

Posição: Avançado

Nacionalidade: Brasileiro

Período de atividade: 1956-1977

Clubes representados: Bauru, Santos e Cosmos

Principais títulos conquistados: três vezes campeão do Mundo (58, 62 e 70); Campeão paulista (58, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68, 69 e 73); Vencedor da Copa Libertadores (62 e 63); Campeão dos EUA (1977); Melhor Jogador do Século XX (FIFA)

O processo de busca de novos adjetivos esgota-se num ápice. Há pouco mais para dizer de quem tudo já se disse e escreveu. Pelé nasceu em Três Corações, nos arredorres de S. Paulo, zona pobre, de futebol urbano de alto risco para as vidraças, cujo som quebrado costumava dar por terminado o desafio e apressar a correria para um balneário inexistente. Seriam os primeiros troféus. Ainda garoto. Com magia em cada um dos pés.

A aventura começaria no Bauru, aos dez anos, com sonhos ainda limitados por uma inocência que a técnica já contrariava. Seu pai, um tal Dondinho, também jogador, seria o primeiro treinador. O palco, todavia, principiava a ser reduzido e a visibilidade estava longe de ser a justa para quem se dispunha a assumir exercícios de superação permanentes, que renovavam o espanto de quem cria que o menino não podia conceber mais truques. Uma das diabruras, pouco tempo depois, fez sentar o olheiro do Santos, que suava mais que o normal. Não podia acreditar no que via. Não era admissível tanto talento num corpinho de 15 anos, elegante mas franzino, terreno mas prodigioso.

Pelé mudar-se-ia para o Santos aos 15 anos, com a lenda em gestação. Dias depois, a três meses de completar o 16º aniversário, subia ao relvado principal, pronto a debutar. Jamais esquecerá o adversário, o Corinthians de S. André, vergado nessa tarde histórica por 7-1. Estava finalmente lançado.

Nada melhor que alguns números para resumir a carreira impressionante que se seguiu. Pelé jogou 114 vezes pela canarinha, marcou 95 golos e foi durante muito tempo o melhor artilheiro do Brasil em fases finais do Mundial, com 12 golos - foi ultrapassado em 2006 por Ronaldo, que apontou 15 no total. E que dizer dos 1281 golos que apontou em 1375 partidas profissionais? Um tormento para os guarda-redes, Pelé era o golo que ele próprio concebia. Não era jogador de posições fixas, de esperas permanentes pelo resultado da magia de outros. Era ele que fintava, que corria, que voltava a iludir, preparando o tiro habitualmente imparável.

É, na opinião de muitos, o melhor de sempre, o mago supremo a quem Deus, num dia virado para o desporto, quis dar um pedestal com uma única vaga. Terá sido, na visão unânime de quem ama o futebol, dos melhores. Dos primeiros futebolistas atletas, que aliava na perfeição pujança e requinte. Pelé corria os 100 metros em 11 segundos e saltava 1,8 metros em altura e 6,5 em comprimento. Impressionante.

Enriqueceria para sempre no Cosmos, ao lado de Beckenbauer e Seninho. Foi campeão nos Estados Unidos e deteve durante muito anos o rótulo de transferência mais cara do futebol mundial. Os americanos, há pouco enamorados pelo soccer, pagaram, em 1975, sete milhões de dólares pelo seu passe. Uma extravagância para a época, mesmo tratando-se de Pelé. O mesmo jogador que foi quatro vezes para a baliza em situações de emergência e nunca sofreu um golo. Talvez se tenha perdido o grande guarda-redes que, décadas depois, o seu filho Edinho não conseguiu ser. Mas se Pelé tivesse sido rei das balizas, talvez o Brasil não pudesse orgulhar-se de mais um dado curioso, que envolve a suas duas maiores lendas. É que a selecção verde e amarela nunca perdeu com Pelé e Garrincha em campo.