2017 foi um ano repleto de vitórias e conquistas, eis os rostos portugueses dessas mesmas conquistas tanto em Portugal como por essa Europa fora. Aqui ficam os dez nomes nacionais.

Leonardo Jardim

A obra de Leonardo – quiçá uma das mais belas da carreira – foi concluída a 17 de maio com a consagração do Mónaco como campeão francês, título que escapava aos monegascos desde o início do século. Um feito notável se tivermos em conta a diferença de argumentos para o PSG, um dos novos ricos do futebol europeu.

Porém, é redutor olhar apenas para a campanha da equipa do Principado no campeonato. Os monegascos chegaram à final da Taça da Liga e às meias-finais da Taça, mas nos dois jogos acabaram goleados pelo PSG (4-1 e 5-0, respetivamente).

Além disso, é obrigatório realçar o percurso da equipa de Jardim na Liga dos Campeões. Uma campanha de luxo até às meias-finais que encantou o Velho Continente e que atirou nomes como Lemar, Bakayoko, Mendy, Bernardo Silva e Mbappé para a ribalta.

O sonho de repetir a façanha de 2004 na Liga milionária terminou em Turim, nas meias-finais com uma derrota aos pés da Juventus.

A afirmação meteórica de alguns jogadores – com Mbappé à cabeça – e a sua respetiva valorização tornou o Mónaco na equipa que mais lucrou em vendas. As inúmeras saídas obrigaram a uma reestruturação da equipa, processo que demora o seu tempo e que acabou por se refletir nos resultados desportivos.

Ainda assim, na viragem do ano Leonardo Jardim - terceiro treinador português campeão numa das grandes ligas – conduziu o Mónaco ao segundo lugar da Ligue 1. Está ainda em prova tanto na Taça de França como na Taça da Liga. A única mancha no ano foi o desempenho aquém nesta edição da Liga dos Campeões.

Paulo Fonseca

Pelo segundo ano consecutivo Paulo «Zorro» Fonseca é figura nacional para a redação do Maisfutebol. Assumiu a pesada herança de Mircea Lucescu e recolocou o Shakhtar Donetsk na rota dos títulos. No presente ano civil, Paulo Fonseca conquistou os três títulos internos que disputou, acabando com a hegemonia do crónico rival Dínamo de Kiev.

Pelo caminho tombou de forma inglória nos 16 avos de final da Liga Europa, frente ao Celta de Vigo, mas redimiu-se nos últimos seis meses do ano ao conseguir a colocar o Shakhtar entre as dezasseis melhores equipas da Europa, sobrevivendo a um grupo constituído por Nápoles, Manchester City e Feyenoord.

Meritória a forma como contornou o falhanço ao serviço do FC Porto. Reencontrou-se no seu Paços de Ferreira e deixou o Sporting de Braga com uma Taça de Portugal no palmarés, antes de rumar à Ucrânia. No Leste da Europa encontrou, porventura, o espaço ideal para confirmar a maioria dos sinais positivos deixados no passado. Paulo Fonseca fechou o ano mascarado de Zorro, com a presença na fase a eliminar da Champions assegurada e em primeiro na Liga ucraniana.

Destaque não só pelos títulos que amealhou, mas pela forma como se reergueu e voltou a caminhar de forma segura e sustentada. Em suma, um treinador de grande nível a prometer uma mudança para outros patamares.

Cristiano Ronaldo

Mais um ano em cheio. Parecia difícil repetir as proezas alcançadas em 2016, mas já se sabe que com Cristiano Ronaldo não existem limites. 2017 trouxe ao madeirense o segundo campeonato espanhol, a quarta Liga dos Campeões, a segunda Supertaça Espanhola, igual número de Supertaças Europeias e o quarto Mundial de Clubes, para além de um número infindável de recordes ultrapassados.

O capitão de Portugal foi decisivo nos momentos-chave da época tanto na seleção como no Real Madrid. Caro leitor, atente: decidiu a final do Mundial de Clubes, bisou na final da Liga dos Campeões (melhor marcador da última edição, com 12 golos; e da atual, onde já leva 9, ultrapassando a barreira dos 100 golos na Europa) e marcou em Camp Nou, na primeira mão da Supertaça espanhola. Mais, assinou 15 tentos na caminhada de Portugal até ao Mundial2018 e dois na Taça das Confederações, onde terminou em terceiro lugar.

O prémio The Best – o segundo seguido – foi uma mera formalidade. No presente mês, voltou a ser feliz em Paris. Se no ano transato aumentou o seu legado com a conquista do Euro2016, este ano arrebatou a quinta Bola de Ouro, também pelo segundo ano seguido. Pelos vistos, Ronaldo terá sempre Paris.

Aos 32 anos, Cristiano continua insaciável e ambiciona expandir ainda mais o seu vasto palmarés. Alguém ousa colocar-lhe um limite?

Pizzi

Figura incontornável do histórico tetracampeonato conquistado pelo Benfica. Os números de Pizzi evidenciam uma época 2016/17 superlativa: dez golos (recorde pessoal), oito assistências (também recorde pessoal) e totalista nos 33 jogos disputados (esteve 15 jogos em risco de exclusão).

Porém, só os números não espelham a influência do médio de 28 anos. Assumiu-se como a figura de proa, sobretudo na ausência de Jonas e funcionou como o cérebro de toda a manobra ofensiva dos encarnados.

O desempenho nos primeiros seis meses do ano de 2017 – eleito o melhor jogador do campeonato por unanimidade - não passou despercebido ao selecionador nacional, Fernando Santos, que o convocou para a primeira grande competição pós-Paris, entenda-se Taça das Confederações. Conseguiu duas aparições, sublinhe-se.

Os seis meses finais de 2017 coincidiram com uma quebra abrupta de forma. Os resultados desportivos, com a campanha paupérrima na Liga dos Campeões em plano de evidência, também não ajudaram a travar essa quebra. Rui Vitória optou por deixar Pizzi no banco de suplentes na deslocação à Vila das Aves, algo que não acontecia há quase dois anos para o campeonato.

O final de 2017 terminou com Pizzi a dar sinais de retoma, com dois golos e uma assistência no último jogo da Liga.

Em 2018, ano de Campeonato do Mundo, a confirmar que versão de Pizzi teremos. Se a de um jogador intermitente, a lembrar o início de águia ao peito ou um jogador regular à semelhança dos primeiros seis meses de 2017.

Bernardo Silva

«Brilha, Messizinho», foi com esta frase que o Mónaco se despediu de Bernardo Silva aquando da mudança para o Manchester City. Em três anos no Principado, ficaram memórias de um talento soberbo, com lampejos de classe que espantaram e encantaram o futebol europeu.

Desaproveitado no Seixal, encontrou no sul de França, o espaço ideal para crescer de forma sustentada e equilibrada, acabando por se afirmar como um dos maiores talentos nacionais e europeus. Foi uma das figuras do Mónaco de Jardim que venceu a Ligue 1 e chegou às meias-finais da Liga dos Campeões. A época realizada não passou despercebida aos maiores clubes do futebol europeu e Pep Guardiola pediu a sua contratação.

Em Inglaterra enfrenta, porventura, o maior desafio da carreira: afirma-se como titular num plantel que conta com Sterling, De Bruyne, Sané, Aguero e Gabriel Jesus. Pese embora a concorrência de peso já apontou dois golos em 25 jogos, números interessantes para um menino de 23 anos que chegou há apenas seis meses a Terras de Sua Majestade.

O verão de 2017 significou também a afirmação na seleção portuguesa, sobretudo na Taça das Confederações, onde deixou boas indicações.  Bernardo apresenta-se como um jogador de fino de recorte, distinto dos restantes que compõem o núcleo duro de Fernando Santos. Dificilmente deixará o bilhete para o Mundial2018 escapar.

Rui Vitória

A 13 de maio, com Rui Vitória ao leme, o Benfica conquistou, à sexta tentativa, o desejado e inédito tetracampeonato, vencendo a corrida ao rival FC Porto.

O campeonato ainda ameaçou fugir à 26.ª jornada, tropeção em Paços de Ferreira, mas os dragões falharam sempre no momento da ultrapassagem. Liderança consolidada após o dérbi em Alvalade, as águias embalaram para uma reta final de grande nível, concluída na goleada ao Vitória, no Estádio da Luz.

Ao troféu de campeão nacional, o treinador de 47 anos juntou a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido Oliveira (a segunda ao serviço das águias). Foi distinguido como o melhor treinador da Liga 2016/17. Seis meses quase irrepreensíveis, portanto.

A segunda metade de 2017 contrasta de forma gritante com a primeira. As saídas de jogadores influentes como Ederson, Semedo, Lindelof e Mitroglou não chegam para justificar seis meses intermitentes. É verdade que o Benfica termina o ano a três pontos dos líderes FC Porto e Sporting, mas a época 2017/18 já está marcada pela prestação vergonhosa na Liga dos Campeões, competição na qual o Benfica acabou como o pior cabeça de série da história. Mais, os tetracampeões nacionais foram a única equipa das provas da UEFA a não conquistar qualquer ponto.

Além disso, Rui Vitória vai terminar o ano fora das duas Taças internas.

Rui Vitória consagrou-se como um homem capaz de resistir a toda a pressão que lhe foi sendo colocada desde que chegou à Luz, terminando sempre por ultrapassar de forma superior os obstáculos que lhe surgiram no caminho. A margem de erro é cada vez mais curta, mas será que Rui Vitória voltará a sair por cima?

Sérgio Conceição

No final de 2016, Sérgio Conceição abraçou aquele que parecia o maior desafio da carreira, assinando pelo Nantes. Aquando da chegada do treinador português o clube francês encontrava-se no penúltimo lugar da Ligue1.

Com Conceição ao leme, os canários desataram a galgar lugares na classificação e terminaram às portas da Europa, na sétima posição. Os resultados como que obrigaram o presidente do Nantes a renovar com o técnico luso.

Contudo, a saída de Nuno Espírito Santo e o convite do FC Porto alteram o que estava previamente definido. Após um período à procura de sucessor para NES, eis que a 8 de junho o presidente dos dragões, Pinto da Costa, anuncia a chegada de Sérgio Conceição.

Sem nenhum troféu, a chegada de Conceição, eventualmente, suscitou alguma desconfiança. O tempo acabou por lhe dar razão: 19 vitórias, cinco empates e duas derrotas. O registo deixa o FC Porto na liderança do campeonato (em conjunto com o Sporting), nos oitavos de final da Liga dos Campeões, a presença nas meias-finais da Taça de Portugal e via aberta para a final four da Taça da Liga.

2018 surge como o ano ideal para a afirmação de Sérgio Conceição, versão treinador.

José Mourinho

O regresso ao ativo foi concluído com a conquista de dois títulos (sem contar com a Supertaça Inglesa em agosto de 2016) atenuando, de certa forma, o sexto lugar na Premier League.

Dos dois troféus que juntou ao palmarés, destaque para conquista a Liga Europa, numa final diante do Ajax, marcada pelos atentados de Manchester dois dias antes do jogo. Em Solna, Suécia, cumpriu-se a tradição. Com o United, José Mourinho voltou a sorrir numa final europeia (quatro em quatro) e juntou o gigante inglês ao restrito lote de equipas que venceram as três principais competições europeias de clubes.

Tal como Rafa Benítez e Udo Lattek, Mou venceu troféus do Velho Continente por três clubes diferentes.

O último mês de 2017 esteve longe de ser perfeito para o técnico português. Viu o City escapar-se no topo do campeonato inglês, com o triunfo no Teatro dos Sonhos e acabou eliminado da Taça da Liga pelo Bristol, equipa do Championship.

O balanço anual é positivo. Aos 54 anos, com 25 títulos no palmarés, Mourinho parece continuar sedento de glória e pretende recolocar o Manchester United no trono do futebol inglês. A ver o que 2018 reserva ao português.

Fernando Santos

Inegavelmente um homem de fé, mas ter simplesmente fé de pouco vale no futebol. Além de ser um homem de fé, Fernando Santos um treinador pragmático muito contente. Depois da conquista do Euro2016, o presente ano seria fulcral para a afirmação plena de Portugal entre as maiores seleções continentais e mundiais. E o Engenheiro do Penta liderou essa afirmação.

O percalço no início da qualificação para o Mundial 2018 – derrota diante da Suíça – fez soar os alarmes. O selecionador reuniu o grupo e Portugal arrancou cinco triunfos consecutivos, marcando sempre com três ou mais golos.

 A meio do ano a equipa das quinas viajou para a Rússia para disputar a Taça das Confederações, uma espécie de miniteste para o Campeonato do Mundo.  Portugal conquistou um honroso terceiro lugar, diante do México e não perdeu qualquer jogo na estreia na prova. Caiu nas grandes penalidades, nas meias-finais frente ao Chile, lembre-se.

Em agosto as atenções voltaram-se novamente para a qualificação para o Mundial. Portugal cumpriu até à «final» com a Suíça, no Estádio da Luz. Em vantagem na diferença de golos – primeiro critério de desempate – uma vitória valia a qualificação direta. Triunfo por 2-0, resultado idêntico ao da primeira volta e apuramento selado.

A imagem de união entre nação e seleção após o apito final arrepia. E, acima de tudo, espelha a comunhão entre povo e jogadores. Obra, mais uma, de Fernando Santos.

Sétimo Mundial de Portugal, quinto consecutivo, desde 2000 que não falha uma fase final.

VAR

O Estádio do Jamor, local mítico do futebol nacional, serviu de palco para a estreia do VAR  em modo «online». A estreia foi positiva, embora o VAR não tenha como função eliminar todos os erros, mas sim limitá-los ao máximo. Porém, o recurso a esta tecnologia – com condições para ser útil ao futebol – está longe de gerar consenso quer a nível nacional, quer a nível internacional.

O facto de não existir unanimidade em relação ao VAR poderá estar relacionado com anomalias, decisões precipitadas e quiçá, por alguma incompreensão por parte dos vários agentes desportivos.

Contudo, é importante frisar que a tecnologia está em fase experimental e que Portugal é um dos países pioneiros nesta matéria. O VAR encontra-se, naturalmente, em processo de crescimento e pouco tardará até atingir o ponto de maturidade.

Nota ainda para Nélson Semedo, André Silva, Gelson Martins, Ricardo Pereira e Rui Patrício protagonistas de épocas acima da média e que merecem ser mencionados.