Aos 35 anos, Joaquim Alberto Silva ainda gosta de balançar as redes contrárias e prepara-se para jogar no campeonato de Angola, com a camisola do Recreativo de Caalá. Quinzinho, recordado com saudade pelos adeptos portistas, face ao seu entusiasmo e futebol desconcertante, orgulha-se de ter contribuído para o pentacampeonato do F.C. Porto.

O avançado trabalhou com Bobby Robson, António Oliveira e Fernando Santos. Concorreu com nomes como Domingos Paciência ou Mário Jardel, mas ainda encontrou espaço para marcar golos importantes. Certo dia, decidiu festejar com uma dança junto à bandeirola de canto. Robson ficou estupefacto.

«Nunca mais se esqueceu. Mesmo nos treinos, eu queria era rematar à baliza. Então ele dizia: Quinzinho, quando marcares três golos num jogo, já podes dançar à vontade», recorda o antigo internacional de Angola.

«Esperava mais no F.C. Porto»

Quinzinho chegou ao F.C. Porto em 1995, oriundo do ASA de Luanda. No ano seguinte, marcou o primeiro golo na história da selecção de Angola, numa fase final de uma Taça das Nações Africanas. Contudo, nas Antas, as alegrias surgiam a espaços.

«Foram dos melhores anos da minha vida, venci dois campeonatos e duas taças, mas havia Mário Jardel. Era um fenómeno. Mas sinceramente, esperava mais dessa passagem pelo F.C. Porto. Quanto tiver oportunidades, fiz golos», lembra.

Os adeptos do clube azul e branco não mais esqueceram Quizinho: «Fui muito acarinhado no Porto. Ainda agora, sempre que lá vou, os adeptos ainda me chamam na rua: Quinzinho, Quinzinho, eras o maior»

A China e o futebol até aos 37 anos

Quinzinho jogou no F.C. Porto, mas também no U. Leiria, Rio Ave, Farense, Aves, Alverca e Estoril. Esteve ainda no Rayo Vallecano. De repente, em 2002, mudou de ares e experimentou o futebol chinês. Até 2009.

«Foi uma experiência muito bom, é um país diferente, mas com qualidade no futebol e no estilo de vida. Lá era conhecido como Qiao Ji Mu, que quer dizer Quinzinho na língua deles. Era esse nome que tinha na camisola», conta o avançado.

O internacional angolano esteve ligado ao Xiamen Lanshi até final da época passada. Agora, vai regressar ao futebol do seu país. «Ainda tenho muito futebol para dar. Fiquei seis meses parado, mas com o treino vou ao sítio. Quero jogar mais dois anos, depois ainda não sei o que vou fazer», remata Quinzinho.

«Para o F.C. Porto, desejo boa sorte. Aquele clube tem uma força fora do normal e ainda pode ser campeão». Fica a mensagem.