Foi tudo tão simples que chega a ser caricato. A Irlanda enfrentava a Estónia na primeira mão do «play-off» para o Europeu, que haveria de superar com facilidade. Conor Cunningham viajou com os amigos para Tallin, capital da Estónia, para assistir ao embate.

«Não tínhamos bilhete, planeávamos comprar lá. Mas já não vendiam mais. Falámos com alguns adeptos locais mas pediram-nos 500 euros. Sou estudante, já tinha pago a viagem, não podia gastar tanto, por muito que goste do meu país», afirmou Conor, em conversa com o Maisfutebol.

Desistir chegou a parecer a única solução. Mas nada estava perdido. Ao vaguearem pelos arredores do estádio, viram a porta de entrada dos media. O jogo estava prestes a começar.

«Havia muita gente a entrar e sair. O portão era grande. Tentámos entrar com naturalidade, mas um segurança viu-nos e parámos. Os meus amigos começaram a falar com ele, para nos deixar entrar. Estava irredutível. Dizia-nos que era um jogo grande e não podia facilitar.»

A verdade é que facilitou. Inconscientemente, claro. Astuto, Conor viu uma porta nas imediações e, aproveitando que o segurança falava com os companheiros, entrou. «Pensava que aquela porta me ia levar para dentro do estádio. Afinal era só uma sala», revela. Não demorou muito a perceber que aquela sala era o passaporte para o jogo.

Metade no relvado, metade na bancada

«A sala só tinha duas coisas: fatos de treino oficiais da Estónia e sacos com bolas. Pensei que poderia aproveitar. Vesti o fato de treino, peguei num saco e saí. Ao passar pelo segurança ele nem olhou para mim, apenas se desviou para eu passar. Os meus amigos ficaram incrédulos», conta Conor.

Seguiu pelo corredor. Passou outro segurança sem ter de se identificar. O fato de treino fazia todo o trabalho. Chegou ao relvado já com o jogo a decorrer. Caminhou com o saco de bolas às costas, passou em frente ao banco da Estónia e ficou nas imediações a assistir ao encontro. «No banco ninguém reparou. Acho que foi por estarem concentrados no jogo», opina.

«Perto do intervalo veio um oficial da UEFA dizer que não podia estar ali. Que estava gente a mais da Estónia naquela zona e eu tinha de ir para a bancada. Eu respondi: ok, você é que manda. E fui para a bancada. Vi lá toda a segunda parte», continua. A aventura é que ainda não tinha fim à vista.

No Euro 2012, mas com bilhete

No final do jogo, que a Irlanda ganhou por 4-0, teve vontade de chegar perto dos seus ídolos. «Tinha deixado as bolas no relvado e disse ao segurança que tinha de as ir buscar, que era o meu trabalho. Ele deixou-me passar», revela.

Pegou no saco e foi festejar com os jogadores. «Falei com o McGeady, contei ao Sean Leadger. Eles nem queriam acreditar. Só se riam. No final ainda estive na zona do flash-interview», conta.

Foi a primeira vez que fez algo do género. A última? «Espero que sim. No estádio cheguei a ficar preocupado com o que me poderia acontecer, mas agora que estou na Irlanda já não tenho medo. Eu só queria ver o jogo, não fiz nada de mal», refere.

Depois disto, Conor vai estar no Euro 2012. Isso é garantido. Mas agora «com bilhete».

Conor Cunningham no relvado:

A festejar com os jogadores:

E na zona de flash-interview: