* com Pedro Jorge da Cunha

Os 47 Fevereiro lançaram em março deste ano o seu álbum de estreia, Luta pela Manutenção. A maioria dos membros já se conhecia e trabalhavam juntos noutros projetos.

«Vínhamos de uma banda que eram os Touro que acabou por se dissolver, mas alguns queriam continuar a fazer este tipo de música. Partimos de uma banda que se foi esmorecendo para outra, que levou algum tempo até ganhar a sua forma definitiva», explicou El Killo, ao Maisfutebol, no estádio do Clube Desportivo de Portugal (Ruy Navega, no Porto), local onde gravaram o videoclip do single In Extremis.

O «plantel» dos 47 Fevereiro caracteriza o seu estilo de «jogo» como Fute-Rock Mediterrânico. Fute, pela influência de expressões futebolísticas nas suas músicas com o intuito de abordar temas que consideram relevantes; Rock pelo género intenso e pesado; Mediterrânico por cantarem em vários idiomas (português, francês, espanhol e italiano) e por incluírem a guitarra portuguesa.

«O rock é tão anglo-saxónico... Todas as bandas que nós idolatramos são inglesas ou americanas e se não o são, cantam em inglês. Se temos mais conhecimento noutros idiomas por que não usá-lo? Faz parte das nossas experiências. Nós não crescemos em Londres, nem em Birmingham ou Nova Iorque, nascemos aqui», disse El Killo.

A cada membro da banda foi atribuído um pseudónimo. Esta opção está associada com assuntos por eles abordados, como a clandestinidade e a troca de identidade.

Pedro Santos (Fiscal Santos) explica como escolheram o seu nome: «na altura disseram: ‘tu não vais poder ser o Pedro. Vais de ter de arranjar um pseudónimo’. Como estudei economia e estou sempre atento às jogadas pareceu-me apropriado.

Já Jorge Loura (Capitão Moura) esclarece que foi inspirado, em parte, numa personagem do mesmo nome que aparecia no programa Liga dos Últimos.

Francisco Beirão (El Killo) conta que o nome surgiu depois de ter começado a utilizar a expressão espanhola ‘killo’ para chamar os amigos, acabando por adquirir esse pseudónimo.

Os restantes membros são Roque Xandeiro e Capadócio e as outras participações no disco também possuem um pseudónimo.

Em relação ao nome da banda, este foi escolhido durante uma conversa entre amigos depois de um ensaio. Os músicos acreditam que «nem tudo tem que ter significado» e que o nome da banda é prova disso.

Os 47 Fevereiro na bancada do mítico «Ruy Navega»

Segundo El Killo a utilização de analogias futebolísticas nasceu do gosto pelo futebol, assunto que era sempre falado durante os ensaios.

«Estávamos a ouvir as nossas músicas enquanto víamos um jogo. Cada expressão que diziam nós apontávamos, eram meros códigos para dar nome a algumas ideias. A partir daí começamos a procurar tópicos inspirados em expressões do futebol», explicou.

Apesar dos termos futebolísticos para as músicas, não se focam no desporto em si. Para os 47 Fevereiro a linguagem do futebol é apenas «um ponto de partida» para expressar as suas ideias.

«Somos amigos há muitos anos. Tocamos juntos e temos vários pontos de vista sobre o mundo em comum que se refletem nas nossas letras e faz com que nos identifiquemos bastante com a nossa música. Há todo um mundo fora do futebol», afirma.

Como base de inspiração partem não só de bandas como Black Sabbath ou The Clash, mas também em autores como George Orwell e John Steinbeck.

Em relação ao álbum de estreia Luta pela Manutenção, a banda mostra-se satisfeita com o resultado final.

«Alguns amigos dizem que é mais denso do que estavam à espera, possui vários estados de espírito. Conseguimos construir uma narrativa ao longo do disco que vai passando por vários momentos musicais e temáticos. As pessoas gostam de ouvir o disco do inico ao fim», disse.

Sobre planos para o futuro, os músicos preferem pensar «jogo a jogo». Esperam continuar a crescer, a escrever novas músicas e alcançar um público maior.

«Na luta pela manutenção é tudo muito bonito, mas os orçamentos dos clubes quanto mais reduzidos pior é. Chegar à Europa é muito bom, mas depois é preciso mantermo-nos lá. Não faltam casos de equipas que vão à Europa e depois descem de divisão. Não queremos entrar em loucuras», brinca El Killo.

Para já, os 47 Fevereiro querem centrar-se apenas nos concertos que têm agendados até setembro e no lançamento, em outubro, de um disco em vinil.

El Killo e os restantes membros, apesar da paixão pelo futebol, acreditam que hoje em dia é dada maior atenção ao que acontece fora da quatro linhas do que ao jogo em si. Para a banda a verdadeira essência do futebol reside nos campeonatos de segunda divisão.

«O bonito do campeonato é a equipa jogar, a representar sua cidade. Ter aquele sentimento de pertença», conclui El Killo.

Por agora, os 47 Fevereiro vão continuar na Luta pela Manutenção, exprimindo o seu estilo de jogo através das suas músicas num palco que para eles é como um campo de futebol.

 

Veja o vídeo do single «In Extremis»: