Veja AQUI um resumo do Portugal-Suécia.

E agora? É a pergunta que resta depois de um nulo frente à Suécia que complicou umas contas já de si difíceis de entender no apuramento para o Mundial-2010. Portugal não conseguiu derrubar o muro sueco, que continua de pé em solo português. Ficou, porém, uma boa exibição, de uma selecção nacional que foi uma equipa, muito mais que a soma de individualidades. Ficou ainda o sabor amargo de um empate injusto, castigo pesado pelo enésimo jogo em que a ineficácia se revelou como o maior problema na história das cores nacionais.

Sem Deco, mas com um ataque móvel, Portugal tentou romper a barreira pelo chão e com futebol rápido e fantasista, como pedira o seleccionador Carlos Queiroz. Os primeiros minutos foram de supremacia escandinava, só que quando a selecção portuguesa serenou, percebeu-se que é bem diferente do rival deste sábado, diferente porque tem futebol ofensivo e claramente mais técnico. Isso, por vezes, não ganha jogos, é certo. E esta noite, não chegou mesmo.

Com Pepe a ser aposta ganha no meio do terreno e Duda a solucionar o flanco esquerdo, Portugal soube trocar a bola, com paciência, com recortes finos e pormenores técnicos que os suecos não têm. Bom, talvez Kallstrom, mas é uma ilha na equipa escandinava. Para vencer, era preciso vincar essa diferença de capacidade com a bola, e a primeira parte foi indicadora disso mesmo.

Portugal podia não ter um grande volume de oportunidades, mas fez o suficiente para chegar ao intervalo com outro resultado que não o nulo. Só que os suecos nunca perderam em solo luso e levavam para os balneários um ponto precioso, devido ao desperdício de Ronaldo, Simão e Bruno Alves, só para lembrar três casos. Pior que isso, a selecção perdia também Bosingwa, bem junto ao intervalo. E a dúvida instalava-se. Quanto ia custar a saída do lateral, até aí um excelente veículo de jogo ofensivo, não só com a bola nos pés, mas também pela liberdade que dava a Cristiano Ronaldo?

Tenta-se de tudo, mas a ineficácia é um fado português

Sem opção no banco, Ricardo Carvalho foi o lateral improvisado e Portugal voltava para o segundo tempo como deixara o primeiro. Como equipa que soube abrir espaços na zona de defesa contrária, com solidariedade. Mesmo o nervosismo de Rolando era compensado com defesa espantosa de Eduardo, tornado em espectador pela pouca ambição adversária.

O lance anterior a esse, porém, foi espelho do que se passou no Dragão. Tiago deixou Danny na cara do golo, mas, mais uma vez, a ineficácia nacional apareceu e o remate saiu ao lado. Tentou-se na área, tentou-se de livre, tentou-se de cabeça, tentou-se de longe. Mas não havia maneira de derrubar a muralha sueca. Mesmo quando a bola, no minuto 72, passou a defesa escandinava, estava lá Isaksson para defender os tiros de Deco e Ronaldo.

Nessa altura, já se roíam unhas, os cigarros acendiam-se uns com os outros e o coração batia forte de adrenalina. Portugal fazia quase tudo para ganhar, o público (grande ambiente!!!) entendia o esforço, acima de tudo, percebia a exibição portuguesa. Queiroz já tinha recorrido a tudo para impedir que o avião português rumo à África do Sul entrasse numa queda a pique.

Ronaldo ainda teve ocasião de cabeça, mas essa sina portuguesa de não facturar é um fado que nos deixa longe da África do Sul e a quatro pontos de dinamarqueses (menos um jogo) e húngaros e com os mesmo que os suecos (também menos uma partida). A selecção ainda não caiu, mas está muito perto de bater no chão. Agarrem-se bem...