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2009-11-06 17:09h

Carlos na selecção angolana: «Em Portugal é preciso padrinhos»

Guarda-redes do Rio Ave fartou-se de esperar por uma oportunidadePor Redacção com João Tiago Figueiredo
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A paciência tem limites e a de Carlos esgotou-se. O guarda-redes do Rio Ave fartou-se de esperar por uma oportunidade na selecção portuguesa e acedeu às investidas da federação angolana. Está convocado para os particulares com o Congo e o Gana, nos próximos dias 14 e 18 de Novembro e deve ter a sua primeira internacionalização A.

O sonho era jogar pelo seu país, onde vive, onde construiu a maior parte da carreira e aquele que consta no seu bilhete de identidade, apesar de ter nascido no República Democrática do Congo. Não conseguiu e, como a avó era angolana, esse elo de ligação revelou-se forte o suficiente para o levar aos «palancas negras». Ouvido pelo MaisFutebol, no discurso de Carlos nota-se a mistura entre alegria e amargura.

«Recebi esta convocatória de bom grado, ser internacional é algo a que todos os jogadores ambicionam. Mas é verdade que a minha esperança era outra. Queria ter chegado à selecção portuguesa, mas nunca me foi dada uma oportunidade e não queria deixar de jogar futebol com o objectivo de ser internacional por realizar. Então optei pela selecção angolana», revela o guarda-redes.

Carlos conta no curriculum com uma chamada à selecção B de Portugal, mas a tão esperada convocatória para a equipa principal nunca aconteceu. «Fartei-me de ficar à espera do inalcançável. Eu costumo dizer que não vou à selecção porque não tenho padrinhos. A partir do momento em que se vê jogadores que não jogam nos seus clubes a serem convocados, começa-se a perder o ânimo. Sempre foi assim e ainda continua a ser», lamenta.

«Quando falaram no Hilário, atingi o meu limite»

Carlos revela que esteve pré-convocado para o Mundial 2006. Não fosse isso e talvez a chamada à selecção de Angola tivesse ocorrido mais cedo: «Antes do Mundial da Alemanha os responsáveis da federação angolana falaram comigo para me juntar a eles, mas como estava pré-convocado para Portugal, acreditei que pudesse ser chamado e rejeitei».

Então como perceber que se atingiu o limite? Carlos conta que houve umas declarações de Carlos Queiroz que foram a gota de água. «Quando ouvi o seleccionador falar numa possível chamada do Hilário atingi o meu limite. Tenho muita pena de não ter tido oportunidades na selecção, mas é como eu digo, não tenho padrinhos», atira.

Caso se consiga impor, Carlos poderá ter a oportunidade de disputar a Taça das Nações Africanas (CAN) em 2010, que, curiosamente, terá lugar em Angola. Com a selecção de Manuel José já afastada do Mundial da África do Sul, resta a Carlos aguardar pela qualificação para o campeonato do Mundo no Brasil, em 2014. Na altura, o guardião vila-condense terá 34 anos.
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