«O futebol é uma ferramenta muito poderosa para unir a sociedade e expor este problema. Muitas pessoas rejeitam convites para palestras sobre Sida, mas ninguém, até hoje, rejeitou uma proposta para jogar contra nós», começa por dizer Adit Taslim, dirigente e guarda-redes da equipa, em conversa com o Maisfutebol

Criado no primeiro dia de Janeiro de 2003, o Rumah Cemara é mais que um clube de futebol. Nasceu na mente de cinco toxicodepentes em recuperação e começou por ser, apenas, mais um centro de reabilitação. Mas daí à ideia de formar uma equipa de futebol foi um ligeiro passo. A Indonésia é um dos países do mundo com maior índice de propagação do vírus da SIDA e, no seio do Rumah Cemara, pensou-se fazer algo para ajudar a mudar o rumo que os números levavam.

Rumah Cemara: uma mensagem às portas de um Mundial

«No início não foi fácil. A Sida ainda era um tema tabu. E grande parte dos infectados são também toxicodepentes. Isso faz com que haja um duplo estigma, porque as pessoas são vistas como doentes e drogados», frisa Taslim. As primeiras campanhas revelaram resultados positivos. Os eventos criados começaram a ser atendidos por um maior número de pessoas e a criação da equipa de futebol foi o tónico final para ajudar a mudar mentalidades.

Quando o talento não chega para se ser aceite

O Rumah Cemara é um grupo aberto. «Aceitamos quem se queira juntar a nós. Vemos o futebol para lá do simples jogo. Queremos usá-lo para reduzir o estigma. Quanto mais pessoas tivermos, mais apoio conseguimos e maior impacto na sociedade vamos criar», lembra o responsável. Neste momento, a equipa alberga um plantel bastante numeroso. São mais de 30 os jogadores que, de forma contínua, marcam presença nos treinos, quase todos eles acima dos 20 anos, sendo que o mais novo tem 17 e nenhum ultrapassa os 35.

Entre eles está Ginan Koesmayadi, o ideólogo da equipa. Jogava numa equipa semiprofissional em Bandung quando soube que tinha SIDA. A notícia correu pelos bastidores do clube e a atitude em relação a Ginan mudou radicalmente. «Sentia que o respeitavam como futebolista, porque tinha qualidade, era dos melhores da equipa. Mas não o aceitavam como companheiro. Começou a ser evitado, sentiu-se mal e saiu. Ninguém o tentou demover», conta Adit Taslim.

Do caso viria a nascer o Rumah Cemara. E com esta equipa mudaram-se mentalidades, num processo que continua em desenvolvimento, como explica Taslim: «O apoio que recebemos vai muito para lá de um simples jogo contra nós. Depois do contacto inicial e de perceberem a nossa mensagem, tornam-se apoiantes da nossa causa. Mostram interesse em saber mais sobre o problema e é precisamente isso que nós queremos. Que haja vontade em perceber tudo o que está relacionado com o vírus. Só assim se poderá travar o crescimento.»

Reportagem sobre o Rumah Cemara: