A FIGURA: Diogo Jota

57 minutos em campo bastaram para merecer a distinção. Apesar dos 20 anos, Jota é um jogador com letra grande e voltou a ser feliz neste regresso a Paços de Ferreira, onde no topo de uma das balizas nasceu uma bancada paga com a verba arrecadada pela sua transferência. Com a braçadeira de capitão comandou Portugal para uma grande primeira parte diante da Suíça. Atentem nesta sequência: ameaçou aos 28’, rematando contra Kobel e depois contra o poste, fez o 2-0 aos 29’ e aos 34’, quando já se isolava, sofreu uma grande penalidade, que João Carvalho desaproveitou. Antes disso, Jota ainda esteve no lance do primeiro golo. Só por fadiga se pode compreender a sua saída de campo para dar lugar a Heriberto quando faltava ainda mais de meia-hora para jogar. O avançado cedido pelo Atlético de Madrid ao Wolves é entre as «esperanças» um dos que desperta maiores certezas de, apesar da concorrência, poder singrar na seleção principal.

O MOMENTO: Minuto 35’. Carvalho desperdiçou, valeu Pereira

Jota ganhou uma grande penalidade e Portugal tinha ali uma oportunidade soberana de praticamente garantir o triunfo. João Carvalho teve o 3-0 nos pés, mas da marca dos 11 metros atirou por cima. Na resposta, a Suíça reduziu por Ulisses Garcia e no lance seguinte quase igualou num livre de Oberlin. Seguiram-se 45 minutos de sofrimento escusado. Carvalho desperdiçou, mas acabaria por até ao final valer Pereira para segurar o triunfo na Mata Real.

OUTROS DESTAQUES:

Diogo Gonçalves

Não é qualquer um que aos 20 anos ganha a titularidade no ataque do Benfica. Diogo Gonçalves é daqueles que não engana. Nesta seleção de sub-21 entende-se na perfeição com o seu homónimo e companheiro de ataque Jota. Gonçalves teve uma primeira parte de grande nível: marcou aos 10’ e assistiu para golo aos 29’. Já desgastado fisicamente acabou por ceder o lugar a Xadas aos 79’.

Joel Pereira

Entre os postes ou fora deles, esteve sempre muito seguro. Foi também por Joel Pereira que Portugal segurou o ímpeto suíço em busca do golo do empate. É eficiente sem dar espetáculo e transmite segurança à equipa. Não será arriscado escrever que o Manchester United não se enganou quando apostou neste jovem guarda-redes. Será uma questão de tempo até José Mourinho dar-lhe uma oportunidade nos Red Devils.

Ulisses Garcia

O autor de uma pequena «traição» à pátria, este cabo-verdiano nascido em Almada e naturalizado suíço foi sobre o flanco esquerdo um perigo constante para a seleção portuguesa. O ala do Werder Bremen cruza com perigo, «fez piscinas» durante quase todo o jogo e… também fez golo: aos 39’ apareceu ao segundo poste para na passada reduzir no marcador e deixar Portugal toda a segunda parte em sobressalto.

Oberlin

Os adeptos do Benfica já conhecem este talento suíço de outras andanças ou não fosse ele um dos protagonistas da goleada de Basileia, que marcou negativamente o arranque de época dos encarnados. Hoje, este camaronês naturalizado suíço voltou a prometer um dia destes aparecer na seleção principal helvética. É um perigo em velocidade e com a bola controlada. E a somar a tudo isso remata forte, como se viu aos 41’, num livre frontal parado pelas luvas de Joel Pereira.